Prevalência de burnout em médicos residentes de Medicina Geral e Familiar em Portugal

Sara Cristina Robalo dos Santos, Ana Isabel Francisco Viegas, Catarina Isabel de Magalhães Oliveira Morgado, Carla Sofia Varela Ramos, Christina Nunes Delgado Soares, Helena Mafalda da Conceição João Roxo, Mafalda Cleto da Silva Santos, Sara Nunes Pires Nabais

Resumo


Objetivo: Determinar a prevalência de burnout nos residentes de Medicina Geral e Familiar (MGF) em Portugal e analisar variáveis que possam influenciar os níveis de burnout nas suas três dimensões (Exaustão Emocional - EE; Despersonalização - DP e Realização Pessoal - RP). Métodos: Estudo transversal, observacional; aplicados questionários de novembro a dezembro de 2015 constituídos pelo Maslach Burnout Inventory e por variáveis sociodemográficas e da residência. Tamanho da amostra estimado de 327 residentes (IC 95%; erro amostral de 5%). Resultados: Amostra representativa composta por 431 residentes (média de 28,7 anos, 80,7% do gênero feminino). A prevalência de burnout global (níveis de burnout elevado na dimensão da EE e/ou DP) foi 46,9%; 38,1% dos residentes apresentava burnout elevado na EE, 45,2% na RP e 26,5% na DP. Verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre níveis de burnout elevado e residentes medicados com ansiolíticos/hipnóticos – EE (p<0,001); RP (p=0,001) e DP (p<0,001) e também nos residentes medicados com antidepressivos, na EE e RP (p=0,01). Nos residentes com intenção de desistir da residência/carreira médica verificaram-se níveis elevados de burnout na EE (p<0,001 para ambas), na RP (p=0,003 e p=0,01, respectivamente) e na DP (p=0,005 e p<0,001, respectivamente). Nos residentes que não escolheram MGF como primeira opção, verificaram-se níveis de burnout elevados na dimensão da DP (p<0,001) e da RP (p=0,04). Conclusão: Dada a elevada prevalência de burnout nos residentes de MGF em Portugal, torna-se fundamental desenvolver novos estudos a nível internacional e desenvolver estratégias que previnam e minimizem o impacto negativo desta síndrome.


Palavras-chave


Esgotamento Profissional. Internato e Residência. Medicina de Família e Comunidade. Atenção Primária à Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc12(39)1430

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