O desafio da mudança: a transformação curricular de um Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade

Natalia Madureira Ferreira, Gustavo Tenorio Cunha, Nicole Geovana Dias

Resumo


Introdução: Um dos eixos centrais do Programa Mais Médicos para o Brasil prevê a reestruturação nas residências de Medicina de Família e Comunidade do país, de modo que elas estejam adequadas à nova legislação, sendo pré-requisito para as demais residências médicas do país. Para esta mudança, é necessário que os programas existentes adaptem os seus programas de modo que estes estejam em consonância com o que se espera de um Médico de Família e Comunidade. Objetivo: Analisar a experiência da Universidade Federal de Uberlândia e a metodologia utilizada na reforma curricular do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade. Métodos: Estudo de caso com análise documental sobre o produto, atas e demais documentos construídos durante as três oficinas de reforma curricular executadas, além dos marcos regulatórios. Resultados: A metodologia utilizada nestas oficinas englobou o Arco de Maguerez como estratégia problematizadora que dialoga com a Pedagogia Progressista de Paulo Freire. Para participar das oficinas, foram convidados residentes, gestor, preceptores e docentes. Trabalhou-se com a matriz de planejamento estratégico Análise FOFA (Fortaleza, Oportunidade, Fraqueza e Ameaça) para realizar o diagnóstico situacional do programa; elencaram-se ainda os estágios a serem desenvolvidos, bem como os princípios pedagógicos utilizados e as ferramentas avaliativas. Conclusão: Observou-se uma mudança significativa no programa da residência com envolvimento principalmente de preceptores e residentes engajados na implementação desta nova proposta. Os desafios encontrados foram parcialmente superados, porém ainda existem questões relacionadas principalmente à dinâmica ensino-serviço que precisa ser melhor estruturada para a efetivação do novo programa.


Palavras-chave


Medicina de Família e Comunidade; Internato e Residência; Educação Médica

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc13(40)1600

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