A formação de profissionais de saúde no cuidado às comunidades quilombolas: um relato de experiência

Eliane Patricia Lino Pereira Franchi, Maria Fernanda Terra, Josefa Moreira do Nascimento-Rocha, Rogério Ferreira Marquezan, Valdir Francisco Odorizzi

Resumo


Objetivos: Relatar a experiência de docentes e discentes de cursos da área da saúde durante as atividades da disciplina optativa “A saúde nos quilombos”. Métodos: Trata-se de um relato de experiência, a partir da vivência dos docentes da disciplina, durante a realização das atividades de ensino e extensão realizadas em uma comunidade remanescente de quilombo (CRQ) do estado do Tocantins. Resultados: Foram levantadas quatro dimensões: o desconhecimento dos acadêmicos sobre as condições de vida e saúde das populações remanescentes de quilombos; a escassez de material de estudo sobre o tema; as questões étnico-raciais como determinantes de saúde e o interesse dos acadêmicos em construir práticas na comunidade. Conclusão: Este relato demonstra a importância da inserção de conteúdos e atividades de extensão voltadas à saúde de CRQs, para docentes e discentes da Universidade Federal do Tocantins (UFT).


Palavras-chave


Grupo com Ancestrais do Continente Africano; Origem Étnica e Saúde; Capacitação Profissional

Texto completo:

PDF/A

Referências


Arruti JMA. As comunidades negras rurais e suas terras: a disputa em torno de conceitos e números. Rev Hist Ufes. 2002;14:243-69.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Decreto Nº 4887, de 20 de novembro de 2003. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Brasília: Diário Oficial da União; 2003.

Brasil. Ministério da Cultura. Fundação Cultural Palmares. Quadro Geral de Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQs). [Internet] [acesso 2017 Jun 7]. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/wp-content/uploads/2017/08/quadro-geral-07-07-2017.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.436 de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2017.

Brasil. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Relatório de avaliação do plano plurianual 2008-2011. Brasília: Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial; 2009.

Lindoso D. A razão quilombola: estudos em torno do conceito quilombola de nação etnográfica. Maceió: EDUFAL; 2011.

Silva JAN. Condições sanitárias e de saúde em Caiana dos Crioulos, uma comunidade Quilombola do Estado da Paraíba. Saúde Soc. 2007;16(2):111-24.

Barata RB, Almeida MF, Montero CV, Silva ZP. Health inequalities based on ethnicity in individuals aged 15 to 64, Brazil, 1998. Cad Saúde Pública. 2007;23(2):305-13. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2007000200006

Barata RB. Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde? Rio de Janeiro: Fiocruz; 2009.

Amorim MM, Tomazi L, Silva RAA, Gestinari RS, Figueiredo TB. Avaliação das condições habitacionais e de saúde da comunidade quilombola boqueirão, Bahia, Brasil. Biosci J (Uberlândia). 2013;29(4):1049-57.

Cabral-Miranda G, Dattoli VCC, Dias-Lima A. Enteroparasitos e condições socioeconômicas e sanitárias em uma comunidade Quilombola do semi-árido Baiano. Rev Patol Trop. 2010;39(1):48-55. http://dx.doi.org/10.5216/rpt.v39i1.9498

Souza CL, Barroso SM, Guimaraes MDC. Oportunidade perdida para diagnóstico oportunista de diabetes mellitus em comunidades quilombolas do sudoeste da Bahia, Brasil. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(6):1653-62. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014196.08662013

Velten APC, Moraes AN, Oliveira ERA, Melchiors AC, Secchin CMC, Lima EFA. Qualidade de vida e hipertensão em comunidades quilombolas do norte do Espírito Santo, Brasil. Rev Bras Pesq Saúde (Vitória). 2013;15(1):9-16.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 992, de 13 de maio de 2009. Institui a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Brasília: Ministério da Saúde; 2009.

Carneiro MA. Extensão universitária: versão e perversões: estudo tentativo de identificação do débito social das universidades federais do nordeste. Rio de Janeiro: Presença Edições; 1985.

Santos MP. Contributos da extensão universitária brasileira à formação acadêmica docente e discente no século XXI: um debate necessário. Rev Conexão UEPG. 2010;6(1):10-5.

Freitas DA, Rabelo GL, Silveira CS, Souza LR, Lima MC, Pereira MM, et al. Percepção de estudantes da área de saúde sobre comunidades rurais quilombolas no Norte de minas Gerais-Brasil. Rev CEFAC. 2013;15(4):941-6. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-

Monteiro RB. Educação permanente em saúde e as diretrizes curriculares para a Educação das relações étnico-raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Saúde Soc. 2016;25(3):524-34.

Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP 003/2004, de 10 de março de 2004. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: Ministério da Educação; 2004.

Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 1, de 17 de junho de 2004. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: Ministério da Educação; 2004.

Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução Nº 3, de 20 de julho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Brasília: Ministério da Educação; 2014.

Bezerra VM, Medeiros DS, Gomes KO, Souzas R, Giatti L, Steffens AP, et al. Inquérito de Saúde em Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil (Projeto COMQUISTA): aspectos metodológicos e análise descritiva. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(6):1835-47. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014196.01992013

Sales Júnior R. Democracia Racial: o não-dito racista. Tempo social Rev Sociol USP. 2006;18(2):229-58.

Organización Mundial de la Salud. Salud y Ausencia de Discriminación. Documento de la OMS para la Conferencia Mundial Contra el Racismo, la Discriminación Racial, la Xenofobia y las Formas Conexas de Intolerancia Ginebra: OMS, 2001.

Batista LE, Escuder MML, Pereira JCR. A cor da morte: causas de óbito segundo características de raça no Estado de São Paulo, 1999 a 2001. Rev Saúde Pública. 2004;38(5):630-6. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102004000500003

Cardoso AM, Santos RV, Coimbra Jr CEA. Mortalidade infantil segundo raça/cor no Brasil: o que dizem os sistemas nacionais de informação? Cad Saúde Pública. 2005;21(5):1602-8.

Laguardia J. O Uso da Variável “Raça” na Pesquisa em Saúde. Physis. 2004;14(2):197-234. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312004000200003

Ribeiro ECO. Educação permanente em saúde. In: Marins JJN, Rego S, Lampert JB, Araújo JGC, orgs. Educação médica em transformação: instrumentos para a construção de novas realidades. São Paulo: Hucitec; Associação Brasileira de Educação Médica; 2004. p. 285-303.




DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc13(40)1620

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2018 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia