Confiabilidade e validade da codificação CIAP-2 por estudantes de medicina

Leonardo Ferreira Fontenelle, Álvaro Damiani Zamprogno, André Filipe Lucchi Rodrigues, Lorena Camillato Sirtoli, Natália Josiele Cerqueira Checon, Marcelo Santana Vetis, Diego José Brandão

Resumo


Objetivo: Estimar a confiabilidade e a validade da codificação de motivos de consulta e problemas por estudantes utilizando a Classificação Internacional da Atenção Primária, 2ª edição (CIAP-2). Métodos: Para cada encontro supervisionado durante todo um semestre, três professores médicos de família e comunidade registraram os motivos de consulta e problemas em um questionário usando texto livre. Dois de quatro estudantes de medicina e um professor codificaram cada motivo de consulta ou problema usando a CIAP-2. No começo do estudo, houve duas seções de padronização com três horas de duração, até os professores julgarem que os estudantes estavam prontos para a codificação. Após todos os motivos de consulta e problemas terem sido codificados independentemente, os sete codificadores resolveram os códigos definitivos por consenso. Definiu-se confiabilidade como concordância entre estudantes, e validade como a concordância destes com os códigos definitivos; essa concordância foi estimada com o AC1 de Gwet. Resultados: Após a exclusão dos encontros codificados antes da última sessão de padronização, a amostra consistiu em 149 encontros consecutivos, somando 262 motivos de consulta e 226 problemas. A codificação teve confiabilidade moderada a substancial (AC1 0,805; IC 95% 0,767–0,843) e validade substancial (AC1 0,864; IC 95% 0,833–0,891). Conclusão: Estudantes de medicina podem codificar motivos de consulta e problemas com a CIAP-2 se forem adequadamente treinados.


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde/classificação; Variações Dependentes do Observador; Reprodutibilidade dos Testes; Educação de Graduação em Medicina; Estágio Clínico

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc13(40)1655

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