Autopercepção da saúde entre usuários da Atenção Primária em Porto Alegre, RS

Milena Rodrigues Agostinho, Mônica Celestina Oliveira, Maria Eugênia Bresolin Pinto, Giuliano Uhlein Balardin, Erno Harzheim

Resumo


A autopercepção da saúde baseia-se em critérios subjetivos e objetivos, sendo influenciada por fatores como sexo, idade, classe social e presença de doenças crônicas. Este trabalho descreve a autopercepção da saúde de usuários adultos adscritos à rede de Atenção Primária à Saúde (APS) de Porto Alegre (RS). Trata-se de um estudo transversal de base populacional, que avaliou a autopercepção da saúde por meio da pergunta “Comparado com alguém de sua idade e sexo, como você considera sua saúde?”. As respostas foram agrupadas em “boa” ou “ruim”. Variáveis sociodemográficas e econômicas, biológicas, de estilo de vida, do estado de saúde e da relação com o Serviço de Saúde ou médico referido foram utilizadas no modelo hierárquico conceitual para auxiliar na descrição da autopercepção de saúde por meio de regressão de Poisson modificada. De 3.009 usuários, 2.355 (78,3%; IC: 74,9-81,3) referiram ter boa autopercepção de saúde, dos quais 1.013 (43%; IC: 39,3-46,9) eram homens, 1.229 pertenciam às classes sociais C, D e E (52,2%; IC: 40,2-63,9), 629 (26,7%; IC: 26,5-30,1) pertenciam à faixa etária de 18 a 30 anos e 626 (26,6%; IC: 21,5-31,5) à faixa etária de 30 a 45 anos. Dos que referiram boa autopercepção de saúde, 1.075 eram tabagistas (45,7%; IC: 40,9-50,6), 276 consumiam mais de 175g de álcool/semana (11,7%; IC: 10,2-13,4), 1.197 eram sedentários (51,4%; IC: 49,1-53,7) e 573 possuíam pelo menos uma doença crônica (24,4%; IC: 20,9-28,2). Pelo modelo hierárquico, observa-se que sexo feminino (RP: 0,92; IC: 0,88-0,95), tabagismo (RP: 0,92; IC: 0,88-0,96), presença de doença crônica (RP: 0,78; IC: 0,72-0,84) e utilização do Serviço – pelo menos quatro consultas/ano (RP: 0,85; IC: 0,82-0,92) foram fatores que diminuem a probabilidade de uma pessoa referir boa autopercepção de saúde. Não ter hospitalização (RP: 1,14; IC: 1,06-1,25) e estar satisfeito com a última consulta (RP: 1,19; IC: 1,11-1,27) aumentaram significativamente a probabilidade de o usuário avaliar sua saúde como boa. A autopercepção da saúde mostra-se influenciada por fatores biológicos, socioeconômicos e de vínculo com o Serviço. Cabe ressaltar que maior satisfação com Serviço de APS estava associada à melhor autopercepção de saúde, justificando a reorganização do Sistema Único de Saúde pela ampliação da rede de Serviços de APS, como a Estratégia Saúde da Família.


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde; Autoimagem; Estudo transversais

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc5(17)175

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