Entamoeba histolytica como causa de diarreia crônica

  • Andreia Alves de Castro Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável. Amora, Portugal https://orcid.org/0000-0003-4438-6796
  • Filipe Bacalhau Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável. Amora, Portugal
  • Francisco Ferreira e Silva Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável. Amora, Portugal
  • Catarina Avillez Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável. Amora, Portugal
  • João Batalheiro Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável. Amora, Portugal
Palavras-chave: Diarreia, Entamoeba histolytica, Disenteria Amebiana, Saúde Pública

Resumo

A diarreia crônica, caracterizada pela presença de mais de três dejeções de consistência pastosa durante pelo menos quatro semanas, é frequentemente encontrada na prática clínica. Na diarreia crônica, a probabilidade de uma etiologia infecciosa é baixa, sendo as causas funcionais, inflamatórias, osmóticas ou secretórias mais comuns. A amebíase intestinal é uma causa de diarreia crônica, causada pelo protozoário Entamoeba histolytica, sendo comum e prevalente em países em desenvolvimento. Pode ter várias formas de apresentação, sendo na maioria dos casos assintomática. Apresenta-se o caso clínico de um paciente de 27 anos, sexo masculino, raça caucasiana, homem que pratica sexo com homens (HSH), com diarreia crônica com início há cerca de seis anos. O exame objetivo não revelava alterações. Realizou exame parasitológico de fezes, com isolamento de quistos de Entamoeba histolytica. Foi medicado com metronidazol e paromomicina com resolução clínica do quadro. É importante para o Médico de Família equacionar esta etiologia na investigação de pacientes com diarreia, para um correto e atempado diagnóstico e tratamento, de modo a evitar exames desnecessários, possíveis complicações, a transmissão
do agente e um grave problema de saúde pública.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

Fine KD, Schiller LR. AGA technical review on the evaluation and management of chronic diarrhea. Gastroenterology. 1999;116(6):1464-86.

Camilleri M, Sellin JH, Barrett KE. Pathophysiology, Evaluation, and Management of Chronic Watery Diarrhea. Gastroenterology. 2017;152(3):515-532.e2.

Shirley DT, Farr L, Watanabe K, Moonah S. A Review of the Global Burden, New Diagnostics, and Current Therapeutics for Amebiasis. Open Forum Infect Dis. 2018;5(7):ofy161.

Fotedar R, Stark D, Beebe N, Marriott D, Ellis J, Harkness J. Laboratory diagnostic techniques for Entamoeba species. Clin Microbiol Rev. 2007;20(3):511-32. https://doi.org/10.1128/CMR.00004-07

Pineda E, Perdomo D. Entamoeba histolytica under Oxidative Stress: What Countermeasure Mechanisms Are in Place? Cells. 2017;6(4).pii:E44.

Marques FC, Sanches B, Guerreiro A, Nunes F, Azeredo P. Abcesso hepático amebiano em idade pediátrica - um caminho do intestino ao fígado. GE Port J Gastroenterol. 2014;21(5):208-11. https://doi.org/10.1016/j.jpg.2014.06.004

Dhawan VK. Amebiasis. 2018. [acesso 2018 Nov 7]. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/212029-overview#a2

Quintela C, Saiote J, Bettencourt MJ, Marques AD. Rectorragias como forma de apresentação de amebíase. Rev Port Coloproct. 2010;7(3):136-9.

Santos RV, Nunes Jda S, Camargo JA, Rocha EM, Fontes G, Camargo LM. High occurrence of Entamoeba histolytica in the municipalities of Ariquemes and Monte Negro, State of Rondônia, Western Amazonia, Brazil. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2013;55(3):193-6. https://doi.org/10.1590/S0036-46652013000300010

Lo YC, Ji DD, Hung CC. Prevalent and incident HIV diagnoses among Entamoeba histolytica-infected adult males: a changing epidemiology associated with sexual transmission--Taiwan, 2006-2013. PLoS Negl Trop Dis. 2014;8(10):e3222.

Hooshyar H, Rostamkhani P, Rezaian M. Molecular epidemiology of human intestinal amoebas in Iran. Iran J Public Health. 2012;41(9):10-7.

Tanyuksel M, Petri WA Jr. Laboratory diagnosis of amebiasis. Clin Microbiol Rev. 2003;16(4):713-29. https://doi.org/10.1128/CMR.16.4.713-729.2003

Villarreal MR. File:Entamoeba histolytica life cycle-en.svg. Wikimedia Commons. 2008. [acesso 2018 Nov 6]. Disponível em: https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:Entamoeba_histolytica_life_cycle-en.svg

Samie A, Obi LC, Bessong PO, Stroup S, Houpt E, Guerrant RL. Prevalence and species distribution of E. Histolytica and E. Dispar in the Venda region, Limpopo, South Africa. Am J Trop Med Hyg. 2006;75(3):565-71. https://doi.org/10.4269/ajtmh.2006.75.565

Parija SC, Mandal J, Ponnambath DK. Laboratory methods of identification of Entamoeba histolytica and its differentiation from look-alike Entamoeba spp. Trop Parasitol. 2014;4(2):90-5. https://doi.org/10.4103/2229-5070.138535

Addib O, Ziglam H, Conlong P. Invasive amoebiasis complicating inflammatory bowel disease. Libyan J Med. 2007;2(4):214-5. https://doi.org/10.4176/070905

Rayan HZ. Microscopic overdiagnosis of intestinal amoebiasis. Egypt Soc Parasitol. 2005;35(3):941-51.

Hung CC, Chang SY, Ji DD. Entamoeba histolytica infection in men who have sex with men. Lancet Infect Dis. 2012;12(9):729-36. https://doi.org/10.1016/S1473-3099(12)70147-0

Pickering LK. Amebiasis. In: Pickering LK, Baker CJ, Kimberlin DW, eds; AAP Committee on Infectious Diseases. 2012 Red Book: Report of the Committee on Infectious Diseases. 29 ed. Elk Grove Village: American Academy of Pediatrics; 2012. p. 222-5.

Abdolrasouli A, McMillan A, Ackers JP. Sexual transmission of intestinal parasites in men who have sex with men. Sex Health. 2009;6(3):185-94. https://doi.org/10.1071/SH08084

Publicado
2019-04-08
Como Citar
Castro, A. A. de, Bacalhau, F., Silva, F. F. e, Avillez, C., & Batalheiro, J. (2019). Entamoeba histolytica como causa de diarreia crônica. Revista Brasileira De Medicina De Família E Comunidade, 14(41), 1917. https://doi.org/10.5712/rbmfc14(41)1917
Seção
Casos Clínicos