Cobertura da Estratégia Saúde da Família e de citopatologia de colo uterino no Rio Grande do Sul

Paulo Vinícius Nascimento Fontanive, João Henrique Godinho Kolling, Eno Dias de Castro Filho, Erno Harzheim

Resumo


O Rio Grande do Sul apresentou nos últimos cinco anos aumento significativo na cobertura populacional da Estratégia Saúde da Família (ESF). A mudança na organização da Atenção Primária à Saúde (APS) proposto pela ESF já demonstrou, em grandes centros, melhora no acesso e em outros atributos da APS, conforme estudos que avaliaram indicadores de saúde infantil ao comparar a ESF com a Atenção Básica Tradicional. Buscou-se analisar a associação entre a cobertura populacional da ESF com a cobertura de citopatológico de colo uterino entre mulheres de 25 a 59 anos nos municípios do Rio Grande do Sul. Este é um estudo ecológico que usou base de dados secundários do DATASUS oriundos do SISPACTO no período de janeiro a dezembro de 2006. Para avaliar o acesso a ações em saúde da mulher foi escolhido um dos indicadores do pacto pela saúde, a razão de exames citopatológicos, que diz respeito ao número de exames citopatológicos cérvico-vaginais (CP) realizados na população de interesse. Os dados foram estratificados em seis grupos conforme cobertura populacional dos municípios (sem ESF, até 20%, de 20% a 40%, de 40% a 60%, de 60% a 80% e mais de 80% de cobertura). Para avaliar a influência do porte populacional, os municípios com menos de 10 mil foram comparados com os demais. Na análise utilizou-se o programa SPSS v13.0, realizando a análise de variância e teste post hoc (Tukey) para comparação entre os grupos de cobertura e teste T para comparação de médias conforme o porte populacional. Como resultado, um grupo de maior cobertura apresentou diferença estatisticamente significativa com osgrupos de cobertura menor que 60% (p<0,05). Nota-se que nos grupos de cobertura há diferença estatisticamente significativa entre as razões de CP de acordo com o porte populacional. Quando apenas analisamos os municípios com mais de 10 mil habitantes, observamos que os municípios com mais de 60% de cobertura apresentaram uma razão de exames de CP estatisticamente maior que aqueles com até 20% (p<0,01). De acordo com os achados percebe-se que mudanças no modelo de organização do cuidado por meio da maior cobertura municipal da ESF também se associam com melhora em indicadores de ações em saúde da mulher.


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde; Saúde da Mulher; Programa Saúde da Família; Esfregaço Cervical; Neoplasias Uterinas

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc4(14)194

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