Diagnóstico dos problemas que interferem nas ações do PSF do município de Araruama: sugerindo o empowerment como teoria organizacional

Simone Grativol Marchon, Zeilma da Cunha

Resumo


Na atual conjuntura política de saúde brasileira, o PSF tem desempenhado papel importante para a construção e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Considerando esta concepção, observa-se que as políticas de saúde se materializam nos serviços, mediante as ações de seus atores sociais e suas práticas cotidianas, buscando refletir sobre as práticas diárias em saúde, no contexto do Programa Saúde da Família (PSF). Este estudo buscou identificar as principais barreiras sociodemográficas, infra-estrutura e comportamentais, apontadas pelos profissionais de saúde do PSF do município de Araruama. De acordo com os resultados, foi sugerido o empowerment como teoria organizacional de gestão. O conceito de empowerment utilizado sugere a mudança da mentalidade tradicional de comando e controle para a criação de um ambiente apoiador, onde as pessoas possam crescer e dar o melhor de si, em benefício da organização. Estudo epidemiológico descritivo, com aplicação de entrevista semi-estruturada para obter informações sobre as principais barreiras no desempenho das funções e conhecer as possíveis associações existentes entre estes fatores. Participaram do estudo 82 profissionais de saúde das oito equipes do PSF Araruama. Os resultados dos fatores sociodemográficos indicaram que 50% atuam no programa por mais de cinco anos e relataram desgaste na atividade por diversos motivos: longa permanência no mesmo local de trabalho; repetição das mesmas vivências; relações conflituosas entre os profissionais da equipe; falta de motivação; falta de resolubilidade dos problemas da comunidade e renda mensal insatisfatória. Quanto aos resultados relacionados à infra-estrutura, 77% consideraram suas atividades profissionais desgastantes devido às condições de trabalho. Os fatores comportamentais indicaram como principal barreira à relação entre as equipes, entre estes, a falta de consenso entre os profissionais, as divergências e o poder do médico ou enfermeiro, reduzindo o comprometimento e o diálogo entre eles e a comunidade. O empowerment estimula o mecanismo de escuta e interação permanente entre gestores e profissionais de saúde e a comunidade, de forma que suas opiniões e percepções sejam valorizadas nos processos de mudança. A falta de estímulo, conflitos e falta de comprometimento entre os membros da equipe podem ser minimizados pela utilização das dimensões individuais, organizacionais e comunitárias do empowerment, criando novas estratégias de ações por meio do processo contínuo de relacionamento entre os membros da equipe.


Palavras-chave


Saúde da Família; Sistema Único de Saúde; Gestão em Saúde; Empoderamento

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc4(13)213

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