Diagnóstico, intervenção precoce e prevenção do Delirium no adulto

o que fazer na Atenção Primária À Saúde?

Autores

  • Luciana Almeida Unidade de Saúde Familiar de Canelas - ACeS Gaia-Espinho https://orcid.org/0000-0002-1221-9953
  • Sónia Martins Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) e Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) , Portugal https://orcid.org/0000-0002-1812-8913
  • Nivaldo Marins Centro Hospitalar Conde de Ferreira (CHCF), Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-8013-3094
  • Lia Fernandes Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental e Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) Serviço de Psiquiatria, Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ), Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-3391-0647

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc16(43)2366

Palavras-chave:

Delirium, Aprovação de Teste para Diagnóstico, Fatores de Risco, Atenção Primária à Saúde, Prevenção Quaternária.

Resumo

Introdução: O delirium é uma síndrome frequente, com morbimortalidade associada considerável mas potencialmente prevenível se instituídas medidas de prevenção e rastreio adequadas. No entanto, é ainda pouco conhecida e muitas vezes subdiagnosticada, principalmente na Atenção Primária à Saúde onde está muitas vezes associado a internamento recente e situações benignas facilmente corrigíveis se detetadas precocemente. O objetivo deste trabalho foi a realização de uma revisão sobre o delirium, assim como propor uma abordagem diagnóstica, terapêutica e preventiva na Atenção Primária à Saúde. Métodos: Foi feita uma pesquisa bibliográfica  de artigos publicados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2020, na PubMed e Scielo com o descritor “delirium” combinado com “primary health care” ou “general practice”. Resultados: Na abordagem do delirium, importa primeiro identificar indíviduos de risco, tarefa que tem por base um modelo multifactorial que conjuga fatores predisponentes e precipitantes. Em termos de métodos de rastreio, o mais usado é o Confusion Assessment Method, mas testes de avaliação da atenção ou Escala de Agitação e Sedação de Richmond podem também ser usados, sempre em associação com o exame físico completo para confirmação diagnóstica. A abordagem terapêutica e preventiva assenta essencialmente em medidas não farmacológicas que visam corrigir fatores de risco. Considerações Finais: De uma forma geral, o desenvolvimento de programas sistemáticos de formação e rastreio que envolvam uma equipa multidisciplinar, incluindo elementos da Atenção Primária à Saúde e cuidadores, podem ser a chave para o sucesso na redução da incidência do delirium e das suas consequências.

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Publicado

2021-08-07

Como Citar

1.
Almeida L, Martins S, Marins N, Fernandes L. Diagnóstico, intervenção precoce e prevenção do Delirium no adulto: o que fazer na Atenção Primária À Saúde?. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 7º de agosto de 2021 [citado 26º de setembro de 2021];16(43):2366. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/2366

Edição

Seção

Artigos de Revisão Clínica