Maternagem: estratégia de prevenção em saúde para formação de sujeitos saudáveis

Gabriela dos Santos Buccini, Marina Lucia Pereira de Almeida Tulha

Resumo


Após o primeiro ano de experiência do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), realizou-se uma análise das principais demandas ou sintomas. Na população infantil, observaram-se dificuldades relacionadas à linguagem, aprendizagem, comportamento e vinculação. Na população adulta, foram encontradas dificuldades relacionadas à autonomia no processo saúde/doença, corpo e resolução de conflitos. Com base nas diretrizes da Atenção Básica, elaborou-se uma intervenção para lidar com as queixas provenientes dos vínculos frágeis que constituem as relações parentais, acarretando consequências para o desenvolvimento ou formação dos sujeitos. Para tanto, criou-se o grupo de Maternagem, que se trata da atividade de cuidar que propicia à criança atenção necessária e suporte emocional para um desenvolvimento neuropsicomotor saudável. Trata-se de um grupo terapêutico-educativo. Em relação às mães, observou-se mudança no posicionamento em relação à educação e colocação de limites, elaboração de conflitos familiares, reflexão sobre sua relação com seus pais, aprimoramento da escuta e vinculação. Nos bebês, observou-se melhora na vinculação, na aceitação do toque materno e nos limites, maior tranquilidade e aprimoramento das habilidades neuropsicomotoras. O desafio é tratar de maternagem com sujeitos que foram pouco maternados, portanto, vulneráveis, pouco autônomos, com dificuldade de estabelecer relações pautadas na confiança/segurança. Em muitos momentos, as mães é que são maternadas, ressignificando seus primeiros vínculos, recuperando o brincar e a fantasia. Acredita-se que a mudança do sujeito-mãe possa ocorrer por meio da transformação da relação mãe-bebê, o que será determinante na formação do sujeito-bebê e possibilitará a ressignificação das relações familiares, produzindo saúde.

Palavras-chave


Relações Mãe-Filho; Saúde Materno-Infantil; Prevenção Primária; Promoção da Saúde

Texto completo:

PDF/A

Referências


Albuquerque LM. Desafios para a implantação da estratégia Saúde da Família: a (re)formação dos profissionais. Rev Bras Saúde Fam. 2006; 7(10): 49-51.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção á Saúde. Departamento de Atenção Básica. Portaria GM Nº 648, 28 de Março de 2006. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.

Brêtas JRS, Silva CV. Mudanças na vida privada familiar: repercussões para a maternagem e o desenvolvimento da criança. Acta Paul Enf. 1998; 11(1): 38-45.

Winnicott DW. A família e o desenvolvimento individual. São Paulo: Martins Fontes; 1993.

Winnicott DW. Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes; 1999.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Brasília: Ministério da Saúde; 2010.

Penteado RZ, Servilha EAM. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde. Distúrb Comun. 2004; 6(1): 107-16.

Santos da Silva MR. A Construção de uma trajetória resiliente durante as primeiras etapas do desenvolvimento da criança: o papel da sensibilidade materna e do suporte social. [tese]. Florianópolis: Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina; 2003.

Böing E, Crepaldi MA. Os efeitos do abandono para o desenvolvimento psicológico de bebês e a maternagem como fator de proteção. Estud Psicol (Campinas). 2004; 21(3): 211-26.




DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc6(20)257

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2014 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade



 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia