Amamentação e promoção da saúde no PSF

Daniel Becker, Margareth Crisostomo Portela

Resumo


O objetivo deste trabalho foi analisar aspectos da implementação e operacionalização da promoção da saúde no Programa de Saúde da Família. Para tanto foi utilizada a promoção da amamentação como um traçador da promoção da saúde. Realizou-se uma pesquisa de campo com 156 profissionais das equipes do Programa e com 286 mães de bebês até 6 meses de idade por eles atendidas, descrevendo e contrastando desta forma as diferentes experiências em cinco municípios brasileiros, com características diversas mas apresentando como traço comum o fato de serem consideradas de boa qualidade. Os resultados mostram que os programas pesquisados preocuparam-se com a capacitação das equipes, que foram treinadas em sua grande maioria. Tanto profissionais de nível superior quanto agentes comunitários de saúde tiveram performances bem acima da média na maioria dos testes de conhecimento aplicados, apesar de seu desempenho deixar um pouco a desejar nas questões relacionadas ao manejo clínico da lactação. Os profissionais das equipes estão envolvidos, em sua grande maioria, nas atividades relevantes da promoção da amamentação. O grau de envolvimento e sua efetividade são, no entanto, variáveis, e não correspondem às impressões das mães entrevistadas em aspectos como a visita domiciliar à puérpera e o momento desta atividade, e a observação da mamada. Não foram detectados erros grosseiros na atuação das equipes, mas esta poderia ser mais abrangente; atingir um número mais significativo de mães; e ter a qualidade de suas intervenções melhorada. A maioria significativa das mães de bebês até seis meses sente-se apoiada pela equipe de saúde para amamentar. O sentimento de apoio para amamentar foi associado significativamente a duas variáveis: a da mãe ter sido ensinada a colocar o bebê para mamar, e a de ter recebido ao menos uma visita domiciliar no puerpério. Esta associação destaca o Programa de Saúde da Família como lócus privilegiado da promoção da amamentação. Nossa pesquisa detectou também o que parece ser uma sobrenotificação, pelo SIAB (Sistema de Informação da Atenção Básica), dos índices de Aleitamento Materno Exclusivo aos quatro meses. Com base nos achados, são feitas algumas recomendações relativas a promoção da amamentação no contexto do PSF. Em conclusão, a pesquisa aponta tendências favoráveis com relação à promoção da saúde no contexto do PSF, sugerindo que sua efetividade poderá ser muito ampliada se forem garantidos às equipes tempo, ferramentas metodológicas, treinamento e apoio adequados para esta atuação.


Palavras-chave


Aleitamento Materno; Saúde da Família; Promoção da Saúde; Avaliação de Serviços de Saúde; Atenção Primária à Saúde

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