Acesso dos homens aos serviços de saúde da atenção primária
utopia ou realidade?
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc20(47)4260Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Saúde do homem, Acesso aos serviços de saúdeResumo
Introdução: A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem implementada em 2009 visa diminuir barreiras de acesso da população masculina aos serviços de saúde. Objetivo: Este estudo objetivou analisar o acesso de homens aos serviços de saúde da Estratégia Saúde da Família em um município do interior da Bahia, sob as dimensões organizacional e técnica. Métodos: Estudo qualitativo, realizado em Unidades de Saúde da Família de um município da Bahia, do qual participaram quatro trabalhadores de saúde e dez usuários. Os dados foram coletados por entrevista semiestruturada e analisados por análise de conteúdo temática. A pesquisa obedeceu às Resoluções nº 466, de 12 de dezembro de 2012, e nº 580, de 22 de março de 2018, e foi aprovada sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 01439012.1.0000.0053. Resultados: Os resultados revelam que a procura dos homens pelos serviços da atenção primária ainda é baixa. Existe falta de planejamento de ações direcionadas aos homens pela equipe de saúde, resumindo- se ao atendimento da demanda espontânea, com campanhas pontuais como “novembro azul”. Os trabalhadores revelaram dificuldades de estabelecer vínculo com os usuários, principalmente os jovens. Conclusões: O estudo mostra que o acesso dos homens aos cuidados em saúde nas unidades de saúde da família é pequeno. Isso se dá pela falta de planejamento das equipes de saúde com relação às necessidades desta população, pouca compreensão do processo saúde- doença pelos homens, dificuldades de acesso geográfico, horário de funcionamento das unidades incompatível com a jornada laboral dos homens, acolhimento inadequado e não estabelecimento de vínculo entre equipe e usuários. Assim, passados 15 anos da aprovação da política, ainda persistem as lacunas assistenciais a esta população.
Downloads
Métricas
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes – Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 92 p.
Silva Júnior CD, Souza JR de, Silva NS, Almeida SP de, Torres LM. Saúde do homem na atenção básica: fatores que influenciam a busca pelo atendimento. Rev Ciênc Plural. 2022;8(2):1-18. https://doi.org/10.21680/2446-7286.2022v8n2ID26410 DOI: https://doi.org/10.21680/2446-7286.2022v8n2ID26410
Assis MMA, Jesus WLA de. Acesso aos serviços de saúde: abordagens, conceitos, políticas e modelo de análise. Ciênc Saúde Colet. 2012;17(11):2865-75. https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001100002 DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001100002
Dantas GC, Figueiredo W dos S, Couto MT. Desafios na comunicação entre homens e seus médicos de família. Interface (Botucatu). 2021;25:e200663. https://doi.org/10.1590/interface.200663 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.200663
Silva AS, Barbosa MGA, Rocha AA da, Carvalho TWS, Lins SR de O, Souza APB. Saúde do homem: dificuldades encontradas pela população masculina para ter acesso aos serviços da unidade de saúde da família (USF). Braz J Hea Rev. 2020;3(2):1966-89. https://doi.org/10.34119/bjhrv3n2-055 DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n2-055
Firmino M, Moura GG. A saúde do homem e sua percepção sobre o sistema público de saúde: a UBSF e o atendimento ao público masculino no bairro Morada Nova, Uberlândia/MG. Hygeia. 2020;16:105-20. https://doi.org/10.14393/ Hygeia16053468 DOI: https://doi.org/10.14393/Hygeia16053468
Separavich MA, Canesqui AM. Masculinidades e cuidados de saúde nos processos de envelhecimento e saúde-doença entre homens trabalhadores de Campinas/SP, Brasil. Saude soc. 2020;29(2):e180223. https://doi.org/10.1590/S0104- 12902020180223 DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-12902020180223
Ribeiro SP, Cavalcanti MLT. Atenção Primária e Coordenação do Cuidado: dispositivo para ampliação do acesso e a melhoria da qualidade. Ciênc Saúde Colet. 2020;25(5):1799-808. https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.34122019 DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.34122019
Tesser CD, Poli Neto P. Atenção especializada ambulatorial no Sistema Único de Saúde: para superar um vazio. Ciênc Saúde Colet. 2017;22(3):941-51. https://doi.org/10.1590/1413-81232017223.18842016 DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232017223.18842016
Santos YM, Andrade RV de. Atuação do enfermeiro na intensificação de ações voltadas à promoção da saúde do homem na atenção primária à saúde. REASE. 2023;9(11):1298-314. https://doi.org/10.51891/rease.v9i11.12477 DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v9i11.12477
Sousa TJ, Soares TM, Rosario CR, Rosa DOS, David RAR, Brito HES. Aspectos da masculinidade como impeditivo do autocuidado na saúde do homem. SaudColetiv (Barueri). 2021;11(65):6306-23. https://doi.org/10.36489/ saudecoletiva.2021v11i65p6306-6323 DOI: https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2021v11i65p6306-6323
dos Santos WSS, Barros AKS, de Oliveira SJ, da Cruz IMA, Pereira CBM, Santos TML, et al. Men’s health in primary care: challenges faced by nurses regarding the determinants of the health-disease process. CLCS. 2024;17(2):e3959. https://doi. org/10.55905/revconv.17n.2-062 DOI: https://doi.org/10.55905/revconv.17n.2-062
Rosa FM, Menegazzo GR, Giordani JM, Weiller TH. Integralidade do cuidado na oferta e utilização de serviços da Atenção Primária à Saúde. Rev APS. 2024;26:e262338780. https://doi.org/10.34019/1809-8363.2023.v26.29404 DOI: https://doi.org/10.34019/1809-8363.2023.v26.29404
Souza VR, Marziale MH, Silva GT, Nascimento PL. Tradução e validação para a língua portuguesa e avaliação do guia COREQ. Acta Paul Enferm. 2021. DOI: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO02631
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2024.
Minayo MCS. Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias. Rev Pesq Qual. 2017;5(7):1-12.
Dias EG, Mishima SM. Análise temática de dados qualitativos: uma proposta prática para efetivação. Sustinere. 2023;11(1):402-11. https://doi.org/10.12957/sustinere.2023.71828 DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2023.71828
BRASIL. Resolução no 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF: 2012.
BRASIL. Resolução no 580, de 22 de março de 2018. Regulamenta o disposto no item XIII.4 da Resolução CNS nº 466, de 12 de dezembro de 2012, que estabelece que as especificidades éticas das pesquisas de interesse estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS) serão contempladas em Resolução específica, e dá outras providências. Brasília: DF: 2018.
Viegas APB, Carmo RF, Luz ZMP da. Fatores que influenciam o acesso aos serviços de saúde na visão de profissionais e usuários de uma unidade básica de referência. Saude soc. 2015;24(1):100-12. https://doi.org/10.1590/S0104- 12902015000100008 DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-12902015000100008
Gutmann VLR, dos Santos D, Silva CD, Vallejos CCC, Acosta DF, Mota MS. Motivos que levam mulheres e homens a buscar as unidades básicas de saúde. J nurs health. 2022;12(2). https://doi.org/10.15210/jonah.v12i2.2234 DOI: https://doi.org/10.15210/jonah.v12i2.2234
Santos ECC, Dórea FS, Souza SR, Silva GM, Santos ACS, Andrade AFSM, et al. Evidências científicas das barreiras e ações à saúde do homem no contexto da Atenção Primária. REAS. 2022;15(9):e10926. https://doi.org/10.25248/reas. e10926.2022 DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e10926.2022
Vieira UA, Araujo MO, Araujo BO, Paixão GPN. Percepção dos enfermeiros sore a (não) procura dos homens por Atenção Primária à Saúde. Rev Saúde Col UEFS. 2020;10(1):58-66. https://doi.org/10.13102/rscdauefs.v10i1.5454 DOI: https://doi.org/10.13102/rscdauefs.v10i1.5454
Parauta TC, da Silva JS, de Lima GTC, Conde MC, Saldanha BL, Lemos A. Saúde sexual de homens de 25 a 59 anos na Atenção Primária à Saúde. Cienc enferm. 2019;25:20. https://doi.org/10.4067/s0717-95532019000100216 DOI: https://doi.org/10.4067/S0717-95532019000100216
Santos RR, Morais EJS, Sousa KHJF, Amorim FCM, Oliveira ADS, Almeida CAPL. Saúde do homem na atenção básica sob o olhar de profissionais de enfermagem. Enferm Foco. 2021;12(5):887-93. https://doi.org/10.21675/2357-707X.2021.v12. n5.3905 DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2021.v12.n5.3905
Duarte RB, Marques MG, Lima BO, de Abreu LDP, Cruz CA, Barros ACO, et al. Duarte Gest Cuid Saúde. 2024;1(1):e12197. DOI: https://doi.org/10.70368/gecs.v1i1.12197
Medrado B, Lyra J, Alvarenga EC, Lima MLC. Análise da implementação da política nacional de atenção integral à saúde do homem em território amazônico. Interface (Botucatu). 2025;29:e240372. https://doi.org/10.1590/interface.240372 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.240372
Lyra J, Medrado B, Campos DS, Fonseca VN, Nascimento M. A implementação da Política de Saúde do Homem no estado do Rio de Janeiro, Brasil: desafios e perspectivas. Interface (Botucatu). 2025;29:e240373. https://doi.org/10.1590/ interface.240373 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.240373
Guedes IS, Prazeres IMA, Silva ADC, Bezerra LH, Forte MPN, Cajazeiras AEP. O impacto do modelo hegemônico da masculinidade no cuidado em saúde. Rev Cienti HMJMA. 2022;3(2):21-8. https://doi.org/10.54257/2965-0585.v3.i2.51 DOI: https://doi.org/10.54257/2965-0585.v3.i2.51
Pereira J, Silva M. Promoção da Saúde do Homem: Uma Experiência Exitosa na Atenção Básica. Rev Bras Saúde Colet. 2023;28(3):123-30.
Feitosa MVN, das Candeias R, Feitosa AKN, de Melo WS, Araújo FM, do Carmo JF, et al. Práticas e saberes do acolhimento na atenção primária à saúde: uma revisão integrativa. REAS. 2021;13(3):e5308. https://doi.org/10.25248/REAS.e5308.2021 DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e5308.2021
Januário TGFM, Varela LD, Oliveira KNS, Faustino RS, Pinto AGA. Escuta e valorização dos usuários: concepções e práticas na gestão do cuidado na Estratégia Saúde da Família. Ciênc saúde coletiva. 2023;28(8):2283-90. https://doi. org/10.1590/1413-81232023288.05952023 DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232023288.05952023
Seixas CT, Baduy RS, Cruz KT, Bortoletto MSS, Slomp Junior H, Merhy EE. O vínculo como potência para a produção do cuidado em Saúde: o que usuários-guia nos ensinam. Interface (Botucatu). 2019;23:e170627. https://doi.org/10.1590/ Interface.170627 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.170627
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Luciane Cristina Feltrin de Oliveira, Juliana Alves Leite Leal, Marcio Costa de Souza, Maria Fernanda Feltrin de Oliveira, André Luiz Nascimento Jesus

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Ao submeterem um manuscrito à RBMFC, os autores mantêm a titularidade dos direitos autorais sobre o artigo, e autorizam a RBMFC a publicar esse manuscrito sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 e identificar-se como veículo de sua publicação original.








