Suicídio entre idosos em Porto Alegre no período da pandemia de COVID-19
um estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc20(47)4471Palavras-chave:
Suicídio, Idosos, PandemiaResumo
Introdução: Devido à pandemia de COVID-19, grande parte dos brasileiros permaneceu restrita aos seus domicílios por longos períodos, propiciando piora de questões psíquicas e, consequentemente, podendo impactar nas taxas de suicídio, especialmente em idosos, os quais constituem grupo de risco para a doença. Por conseguinte, é importante observar não somente as doenças ocasionadas diretamente pelo vírus, mas também as mortes decorrentes de piora de saúde mental. Nesse contexto, é essencial analisar as possíveis implicações da pandemia no ato de suicídio. Objetivo: O estudo tem como objetivo principal verificar as taxas de suicídio entre idosos na cidade de Porto Alegre (RS) no período da pandemia de COVID-19 e, como objetivo secundário, esclarecer alguns aspectos sobre esse ato extremo. Métodos: Estudo transversal ecológico realizado por meio de revisão de dados disponíveis no Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) e no site Mortalidade em Porto Alegre. O recorte do estudo corresponde a todos os idosos que praticaram lesão autoinfligida resultando em óbito no município de Porto Alegre, de março de 2020 a maio de 2023, período que corresponde à pandemia do coronavírus. Resultados: Encontrou-se que, no período citado, aconteceram 407 óbitos por suicídio, dos quais 21,3% correspondem à população idosa, sendo 51,5% na faixa entre 60 e 69 anos, 34,4% entre 70 e 79 anos, 13,7% com 80 anos ou mais e 1,1% com idade ignorada. Em relação a etnias, 87,4% são caucasianos, sendo 4,6% de etnia preta; 1,1%, parda; 1,1%, amarela e 5,7% com etnia ignorada. Em termos de suicídio por região da capital, o Centro predominou, com 27,6% das mortes registradas. Ademais, 79,3% dos suicídios de idosos foram consumados por homens. Para que se estabeleça um comparativo cronológico, foram coletados os dados de 2017 a 2019, e obteve-se que a distribuição etária entre suicídios de idosos foi, predominantemente, na faixa entre 60-69 anos, e que, ao todo, foram 78 suicídios de idosos em Porto Alegre no período em questão. Conclusões: Pôde-se observar que a população idosa corresponde a uma parcela importante dos suicídios em Porto Alegre, e que os índices gerais aumentaram na capital no período da pandemia. Devido às inúmeras perdas e ao isolamento aos quais esta população foi submetida, pode-se supor os impactos psíquicos. Isto posto, os profissionais de saúde da Atenção Primária devem estar capacitados para sempre abordar questões de saúde mental, especialmente no que tange à população idosa, prevenindo esse tipo de óbito para que possamos reverter este triste cenário.
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