Vínculos comunitários no cuidado ao luto na atenção primária à saúde de Florianópolis/SC
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4920Palavras-chave:
Participação da comunidade, Luto, Atenção primária à saúdeResumo
A vivência e expressão do luto estão profundamente relacionadas aos contextos sociais, culturais e históricos. Em uma sociedade que tende a individualizar o sofrimento da perda e a suprimir seus espaços coletivos de elaboração, o fortalecimento das redes comunitárias dos rituais compartilhados assume papel central. A Atenção Primária à Saúde (APS), por sua inserção territorial e vínculo com o cotidiano das famílias, pode ser um espaço estratégico no cuidado às pessoas enlutadas. O objetivo deste estudo foi analisar de que modo a APS no município de Florianópolis/SC atua na articulação de vínculos comunitários no cuidado ao luto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com 18 profissionais da equipe de Saúde da Família e 4 usuários atendidos após vivência de luto. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo temática. Os resultados apontam que o fortalecimento das redes de apoio, a promoção de grupos comunitários e a atuação territorializada configuram práticas potentes no cuidado ao luto. Contudo, observam-se fragilidades na gestão e governança pública, expressas pela descontinuidade das ações coletivas e pelo afastamento dos Agentes Comunitários de Saúde do território. Conclui-se que, apesar dos entraves institucionais e organizacionais, a articulação dos vínculos comunitários, a valorização da escuta e a reconstrução de espaços coletivos de elaboração da perda emergem como caminhos promissores para o fortalecimento da APS no cuidado integral às pessoas enlutadas.
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