Associação entre dimensões da religiosidade e adesão medicamentosa em idosos brasileiros

Autores

  • Pedro Henrique Soares Silva Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil
  • Maria Vitoria Cordeiro Vieira Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil
  • Lucas Aur Pazetto Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil
  • Mariana de Vasconcellos Nascimento Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil
  • Larissa Helena Sacheto Abdo Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil https://orcid.org/0000-0001-5057-5679
  • Mariana Lima de Moura Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil https://orcid.org/0000-0001-9034-1789
  • Kaio Henrique Correa Massa Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo (SP), Brasil https://orcid.org/0000-0001-9954-2659

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)5206

Palavras-chave:

Adesão à medicação, Idosos, Doenças crônicas

Resumo

Introdução: A adesão ao tratamento medicamentoso em idosos é influenciada por múltiplos fatores, incluindo aspectos socioculturais. A religiosidade pode desempenhar papel relevante nesse contexto, porém ainda há escassez de evidências no cenário brasileiro. Objetivo: Analisar a associação entre religiosidade e adesão ao tratamento medicamentoso em idosos brasileiros. Métodos: Trata-se de estudo transversal quantitativo que analisou a associação entre religiosidade e adesão ao tratamento medicamentoso. A religiosidade foi avaliada pelo Índice de Religiosidade da Universidade de Duke (DUREL) nas dimensões organizacional, não organizacional e intrínseca, enquanto a adesão medicamentosa foi mensurada pelo teste de Morisky-Green e categorizada em baixa, média e alta. Foram coletadas, também, informações sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, estado civil), de estilo de vida (tabagismo, consumo de álcool) e dados de saúde (doenças crônicas e uso de medicamentos). Modelos de regressão logística ajustados foram aplicados para analisar as associações entre cada dimensão da religiosidade e adesão medicamentosa. Resultados: A amostra totalizou 153 indivíduos com 60 anos ou mais, predominantemente do sexo feminino (66%) e majoritariamente composta por idosos entre 60–69 anos (51,6%). A maior prevalência foi observada para a religiosidade intrínseca (88,9%), seguida pela não organizacional (86,3%) e organizacional (39,9%). Predominaram as categorias baixa e média adesão (88,9%), sendo que 64% dos participantes relataram esquecimento no uso dos medicamentos. A religiosidade organizacional associou-se significativamente a maior adesão medicamentosa (OR=2,54; IC95% 1,16–5,58) e menor prevalência de tabagismo. Mulheres apresentaram maior religiosidade em todas as dimensões. Conclusões: Os achados indicam que dimensões específicas da religiosidade influenciam positivamente a adesão ao tratamento medicamentoso em idosos, ressaltando a relevância da incorporação de aspectos espirituais na abordagem clínica para melhorar os resultados terapêuticos dessa população.

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Publicado

2026-05-19

Como Citar

1.
Silva PHS, Vieira MVC, Pazetto LA, Nascimento M de V, Abdo LHS, Moura ML de, et al. Associação entre dimensões da religiosidade e adesão medicamentosa em idosos brasileiros. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 19º de maio de 2026 [citado 20º de maio de 2026];21(48):1-14. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/5206

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit