Impacto do tratamento de sobrepeso/obesidade sobre os níveis de pressão arterial na Atenção Primária à Saúde

Daniel Victor Arantes

Resumo


A prevalência de sobrepeso/obesidade cresce em ritmo acelerado nas últimas décadas em todo o mundo.Dados recentes do IBGE mostram que no Brasil 41,1% dos homens e 40,0% das mulheres apresentam excesso de peso, sendo os índices para obesidade respectivamente 8,9 e 13,1% de toda a população brasileira. A situação é ainda mais crítica em pessoas de baixa renda e escolaridade, onde os índices cresceram mais expressivamente. A obesidade figura como um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e há vasta evidência científica de que pequenas reduções ponderais promovem benefícios clínicos significativos. Fica evidente então que oferecer tratamento adequado para sobrepeso/obesidade na Atenção Primária à Saúde pode ter grande impacto na saúde e qualidade de vida da população e nos custos finais com saúde. O objetivo deste estudo é avaliar o impacto e a replicabilidade de um programa de redução do sobrepeso/obesidade nos níveis de pressão arterial de um grupo de pacientes da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Realizou-se um estudo retrospectivo analítico dos dados clínicos de pacientes submetidos a tratamento para a redução ponderal da USF Bandeiras, em Anápolis/GO. O consentimento livre e informado foi obtido dos pacientes. Os critérios de inclusão/exclusão foram aplicados para corrigir desvios, resultando numa amostra homogênea de 28 pacientes. Foram obtidos os níveis de pressão arterial e peso antes e após o tratamento. Foram calculadas as médias aritméticas de peso, altura e pressão arterial e comparadas entre o início e seis meses de acompanhamento. Houve redução média de 8,42kg no período de seis meses na população avaliada e dos níveis de Pressão Arterial Sistólica (PAS) em 0,64mmHg e Pressão Arterial Diastólica (PAD) em 0,84mmHg para cada redução de 1kg. Os dados do estudo corroboram com os encontrados na literatura, onde para cada 1kg de perda ponderal há redução de 0,88 e 0,72 mmHg nas PAS e PAD, respectivamente. O tratamento da obesidade engloba mudanças de hábitos de vida que em conjunto com a redução ponderal promovem benefícios clínicos significativos já observáveis em reduções inferiores a 10% do peso inicial, em especial naqueles que apresentam comorbidades. O diagnóstico é simples e o acompanhamento de baixo custo, principalmente se for estruturado com atividades educativas em grupo e motivação para mudanças de hábitos de vida. A farmacoterapia pode ser útil e segura, desde que figure como coadjuvante no tratamento. Este estudo mostra como pode ser simples executar um programa estruturado, de baixo custo e efetivo, com replicabilidade dos benefícios descritos na literatura científica.


Palavras-chave


Sobrepeso; Obesidade; Hipertensão

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DOI: http://dx.doi.org/10.5712/rbmfc2(7)57

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