O papel do profissional da Atenção Primária à Saúde em cuidados paliativos

Mariana Lobato dos Santos Ribeiro Silva

Resumo


Introdução: O cuidado a pacientes em fase final da vida é cada vez mais frequente nos serviços de saúde devido ao progressivo envelhecimento da população e o consequente aumento de pacientes com doenças graves. No Brasil, os poucos serviços de cuidados paliativos geralmente estão ligados a hospitais especializados, mas, em vários países, a Atenção Primária à Saúde (APS) é considerada o melhor nível de assistência para a prestação e coordenação dos cuidados paliativos de seus usuários. Métodos: Neste estudo realizou-se uma revisão integrativa de literatura, objetivando compreender quais os papéis dos profissionais da APS em cuidados paliativos. Resultados: Os textos selecionados foram submetidos à análise temática, emergindo oito categorias que descrevem o papel dos profissionais de APS em cuidados paliativos e evidenciam que sua participação é essencial: 1) Possibilitar o cuidado domiciliar; 2) Garantir assistência com integralidade; 3) Utilizar a longitudinalidade como ferramenta de cuidado; 4) Responsabilizar-se pelo cuidado paliativo com a família; 5) Buscar aprimoramento profissional em cuidados paliativos; 6) Viabilizar a coordenação do cuidado; 7) Facilitar o acesso do paciente a cuidados paliativos e sua família; 8) Trabalhar em parcerias dentro e fora da APS. Conclusão: O acesso facilitado a cuidados paliativos, próximo ao lar, associado ao manejo constante dos sintomas e à sensibilidade para com a realidade das famílias, faz toda a diferença para os pacientes em fase final da vida.


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde; Cuidados Paliativos; Saúde da Família

Texto completo:

PDF/A

Referências


Schneider N, Lueckmann SL, Kuehne SLF, Klindtworth K, Behmann M. Developing targets for public health initiatives to improve palliative care. BMC Public Health. 2010; 10:222. http://dx.doi.org/10.1186/1471-2458-10-222

Florianí CA, Schramm SR. Moral and operational challenges for the inclusion of palliative care in primary health care. Cad Saúde Pública. 2007; 23(9): 2072- 80. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2007000900015

World Health Organization. Palliative care for older people: better practices. Denmark: WHO; 2011. Disponível em: http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0017/143153/e95052.pdf

Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Manual de cuidados paliativos. Rio de Janeiro: Diagraphic; 2009.

Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Cuidado Paliativo. São Paulo: CREMESP; 2008.

Brasil. Lei nº 10.424, de 15 de abril de 2002. Acrescenta capítulo e artigo à Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento de serviços correspondentes e dá outras providências, regulamentando a assistência domiciliar no Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da Repúblia Federativa do Brasil; Abr 2002. [acessado 2012 Jun 6]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10424.htm

Rabelo CAFG, Rodrigues PHA. Saúde da Família e cuidados paliativos infantis: ouvindo os familiares de crianças dependentes de tecnologia. Ciênc Saúde Coletiva. 2010; 15(Supl. 2): 3157-66. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-1232010000200013

Borgsteede SD, Deliens L, Wal GVD, Francke AL, Stalman WAB, Eijk JTME. Interdisciplinary cooperation of GPs in palliative care at home: A nationwide survey in the Netherlands. Scand J Prim Health Care, 2007. 25: 226-31. http://dx.doi.org/10.1080/02813430701706501

Barnes EA, Fan G, Harris K, Barbera L, Tsao M, Doyle M et al. Involvement of Family Physicians in the Care of Cancer Patients Seen in the Palliative Rapid Response Radiotherapy Program. J Clin Oncol. 2007; 25(36): 5758-62. http://dx.doi.org/10.1200/JCO.2007.13.3082

Verhoeven AAH, Schuling J, Maeckelber ELM. The death of a patient: a model for reflection in GP training. BMC Fam Pract. 2011; 12(2): 8-15. http://dx.doi.org/10.1186/1471-2296-12-8

Walshe C, Todd C, Caress AL, Graham CC. Judgements about fellow professionals and the management of patients. Br J Gen Pract. 2008; 58: 264-72. http://dx.doi.org/10.3399/bjgp08X279652

McDaniel SH, Campbell ThL, Hepworth J, Lorenz A. Family-Oriented Primary Care. New York: Springer; 2005.

Starlfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde; 2002. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_primaria_p1.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Coordenação de Saúde da Comunidade. Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial. Brasília; 1997. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd09_16.pdf

Whittemore R, Knafl K. The integrative review: updated methodology. J Adv Nurs. 2005; 52(5): 546-553. http://dx.doi.org/10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x

Braun V, Clarke V. Using thematic analysis in psychology. Qual Res Psychol. 2006;(3): 77-101. http://dx.doi.org/10.1191/1478088706qp063oa

Fereday J, Muir-Cochrane E. Demonstrating Rigor using thematic analysis: a hybrid approach of inductie and deductive coding and theme development. Int J Qual Methods. 2006; 5(1): 8-15. http://dx.doi.org/10.1063/1.2011295

Neergaard MA, Vedstesd P, Olesen F, Solkolowski I, Jensen AB, Sondergaad J. Associations between successful palliative trajectories, place of death and GP involvement. Scand J of Prim Health Care. 2010; 28: 138-145. http://dx.doi.org/10.3109/02813432.2010.505316

Marshall D, Howell D, Brazil K, Howard M, Taniguchi A. Enhancing family physician capacity to deliver quality palliative home care: An end-of-life, shared-care model. Can Fam Physician. 2008; 54: 1703.e1-7 Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2602612/?tool=pubmed

Han PKJ, Rayson D. The Coordination of Primary and Oncology Specialty Care at the End of Life. J Natl Cancer Inst Monogr. 2010; 40: 31-7. http://dx.doi.org/10.1093/jncimonographs/lgq003

Valente SH, Teixeira MB. Estudo fenomenológico sobre a visita domiciliária do enfermeiro à família no processo de terminalidade. Rev Esc Enferm USP. 2009; 43(3): 665-61. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342009000300022

Benedetto MAC, Castro AG, Carvalho E, Sanogo R, Blasco PG. From suffering to transcendence: Narratives in palliative care. Can Fam Physician. 2007; 53(8): 1277-79. Disponível em: http://www.cfp.ca/content/54/12/1703.full

Shipman C, Gysels M, White P, Worth A, Murray SA, Barclay S et al. Improving generalist end of life care: national consultation with practitioners, commissioners, academics, and service user groups. BMJ. 2008; 11: 337(7674). http://dx.doi.org/10.1136/bmj.a1720

Pinheiro TRP, Benedetto MAC, Levites MR, Giglio A, Blasco PG. Teaching Palliative Care to Residents and Medical Students. Fam Med. 2010; 42(8): 580-2. Disponível em: http://www.stfm.org/fmhub/fm2010/September/Thais%20Raquel580.pdf

McGrath P. Care of the hematology patient and their family The GP viewpoint. Aust Fam Physician. 2007; 36(9): 779-81.

Groot MM, Vernooij-Dassen MLFL, Verhagen SCA, Crul BJP, Grol RPTM. Obstacles to the delivery of primary palliative care as perceived by GPs. Palliat Med. 2007; 21(8): 697-703. http://dx.doi.org/10.1177/0269216307083384

Johansen ML, Holtedahl KA, Rudebeck CE. A doctor close at hand: How GPs view their role in cancer care. Scand J Prim Health Care. 2010; 28: 249-55. http://dx.doi.org/10.3109/02813432.2010.526792

Silva MCLSR, Silva L, Bousso RZ. A abordagem à família na Estratégia Saúde da Família: uma revisão integrativa da literatura. Rev Esc Enferm USP. 2011; 45(5): 1250-1255. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000500031

Ministério da Saúde (BR). Portaria GM nº 154, de 24 de janeiro de 2008. Cria os núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF. Diário Oficial da Repúblia Federativa do Brasil; 25 Jan 2008. [n. 18]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis../gm/2008/prt0154_24_01_2008.html




DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc9(30)718

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2014 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade



 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia