Conhecimento de puérperas sobre identificação e prevenção do acidente loxoscélico

Guilherme Luiz Pacher Schmitz, Ignatz Rohrbacher, Carlos Júnio da Silva Corrêa, Aglaher Mayra Stocco da Silva, Cerlei Fátima Franzoi, Faigha Barbosa Parzianello, Jarbas Pereira Silva, Felipe Franchini Rezende, Carlos Frederico Oldenburg Neto

Resumo


Objetivos: este estudo teve como objetivo identificar o grau de conhecimento que puérperas possuíam a respeito da aranha Loxosceles, sua picada e conduta no caso de acidente com elas ou seus filhos. Métodos: estudo transversal quantitativo, que utilizou um questionário estruturado abrangendo perfil socioeconômico, conhecimento sobre aranha-marrom e o loxoscelismo. Foram incluídas pacientes em puerpério imediato, considerado entre o primeiro e décimo dia do parto, internadas na maternidade do Hospital do Trabalhador em Curitiba-PR, entre julho e outubro de 2011. Participaram 208 puérperas, das quais oito foram excluídas porque os questionários foram preenchidos de forma incorreta. Os dados obtidos foram tabulados no programa Microsoft Excel 2007® e analisados pelos testes χ2 e Exato de Fisher. Resultados: sobre o conhecimento da aranha, 61% das puérperas afirmaram reconhecer a aranha e apontaram a imagem correta. Sobre a conduta em caso de acidente, 87,5% responderam a conduta correta, porém apenas 37% apontaram a sintomatologia correta. Hipóteses testadas mostraram que idade, escolaridade e acidente loxoscélico prévio são diretamente proporcionais ao conhecimento das participantes (p<0,05). Conclusão: a maioria das puérperas pesquisadas conhecia a aranha-marrom e grande parte reconhecia a lesão provocada pela picada, mas a gravidade da lesão foi superestimada. Contraditoriamente, o conhecimento dos sintomas foi pequeno, o que pode levar ao atraso do tratamento delas mesmas ou dos seus filhos. O conhecimento da aranha foi diretamente relacionado à idade, escolaridade e a acidente loxoscélico prévio.


Palavras-chave


Aracnidismo; Mordeduras e Picadas de Insetos; Saúde Pública; Prevenção de acidentes; Educação em Saúde

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc10(36)778

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