Fatores de risco e proteção de doenças crônicas em adultos: estudo de base populacional em uma cidade de médio porte no sul do Brasil

Carine Baumgartel, Mihaela Onofrei, Luciane Peter Grillo, Leo Lynce Valle Lacerda, Tatiana Mezadri

Resumo


Introdução: As doenças crônicas constituem sério problema de saúde pública, caracterizadas por uma etiologia incerta, múltiplos fatores de risco, longos períodos de latência, curso prolongado, origem não infecciosa e associadas a deficiências e incapacidades funcionais. Objetivos: Determinar a prevalência e a distribuição dos principais fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis na população adulta, estratificada por sexo e faixa etária no município de Itajaí, SC. Métodos: A amostra foi constituída por 432 adultos, entre julho de 2013 e junho de 2014. Aplicou-se um questionário, composto por fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis. Resultados: A amostra foi composta por 48,4% do sexo masculino e 51,6% do sexo feminino, predominando a faixa etária de 20 a 39 anos (56,2%), estado civil casado e/ou união estável (70,4%) e com nível de escolaridade de até 11 anos (46,3%). Em relação aos fatores de risco, quando comparados com os dados nacional e estadual, os sexos masculino e feminino apresentaram prevalências significativamente superiores, respectivamente, para: tabagismo (22,5%; 17,0%); consumo de refrigerantes ou suco artificial (45,5%; 34,5%), leite integral (72,3%; 70,9%), carne com gordura (58,4%; 49,3%), obesidade (24,2%; 21,3%) e autoavaliação negativa de saúde (19,1%; 30,9%). Quanto aos fatores de proteção verificaram-se valores superiores e significativos para consumo regular de frutas e hortaliças (51,2%; 70,4%) e inferiores para o consumo recomendado de frutas e hortaliças (9,6%; 16,1%), feijão (46,9%; 40,4%) e atividade física (30,1%; 39,0%). Conclusão: Os resultados apontaram que as maiores prevalências de fatores de risco estão relacionadas à tríade ingestão alimentar inadequada, inatividade física e tabagismo, destacando-se as elevadas proporções de autoavaliação negativa da saúde.


Palavras-chave


Doença Crônica. Fatores de Risco. Adulto. Inquéritos Epidemiológicos

Texto completo:

PDF/A

Referências


Moura EC, Silva AS, Malta DC, Morais Neto OL. Fatores de risco e proteção para doenças crônicas: vigilância por meio de inquérito telefônico, VIGITEL, Brasil, 2007. Cad Saúde Pública. 2011;27(3):486-96. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011000300009

Ng M, Fleming T, Robinson M, Thomson B, Graetz N, Margono C, et al. Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2014;384(9945):766-781. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(14)60460-8

Yokota RTC, Vasconcelos TF, Ito MK, Dutra ES, Baiochi KC, Merchán-Hamann E, et al. Prevalência de fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis em duas regiões do Distrito Federal. Com Ciênc Saúde. 2007;18(4):289-96.

Brasil. Ministério da Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília: Ministério da Saúde; 2011.

Silva JDT, Müller MC. Uma integração teórica entre psicossomática, stress e doenças crônicas de pele. Estud Psicol. 2007;24(2):247-56. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2007000200011

Schmidt MI, Duncan BB, Silva GAS, Menezes AM, Monteiro CA, Barreto SM, et al. Chronic non-communicable diseases in Brazil: burden and current challenges. Lancet. 2011;377(9781):1949-61. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60135-9

Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilo de vida e doenças cronicas. Brasil. Grandes regiões e unidades da federação. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2014.

Gaziano TA, Galea G, Reddy KS. Scaling up interventions for chronic disease prevention: the evidence. Lancet. 2007;370(9603):1939-46. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(07)61697-3

Brasil. Ministério da Saúde. O Programa Saúde da Família e a atenção básica no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.

Silva LS, Cotta RMM, Rosa COB. Estratégias de promoção da saúde e prevenção primária para enfrentamento das doenças crônicas: revisão sistemática. Rev Panam Salud Publica. 2013;34(5):343-50.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE. Cidades: dados básicos de 2010 [Internet]; 2010. [citado 2012 Maio 20]. Disponível em: http//www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=410840

Malta DC, Dimech CPN, Moura L, Silva Junior JB; Grupo Técnico de Monitoramento do Plano de DCNT. Balanço do primeiro ano de implantação do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011 a 2022. Epidemiol Serv Saúde. 2013;22(1):171-8. DOI: http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742013000100018

Brasil. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2013: Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde; 2014. 120 p.

World Health Organization. Preventing chronic diseases: a vital investment. Geneva: World Health Organization; 2005.

World Health Organization. Overweight and obesity. Geneva: World Health Organization; 2011.

Facina T. Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab) - Relatório Brasil. Rev Bras Cancerol. 2011;57(3):429-30.

Longo GZ, Neves J, Castro TG, Pedroso MRO, Matos IB. Prevalência e distribuição dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis entre adultos da cidade de Lages (SC), sul do Brasil, 2007. Rev Bras Epidemiol. 2011;14(4):698-708. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2011000400016

World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention chronic diseases. Geneva: World Health Organization; 2003. PMID: 14564933

Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira: Promovendo a alimentação saudável [Internet]. Brasília; 2008. [citado 2014 Mar 25]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2008.pdf

Novais M, Leite F. Hábitos de vida - Uma análise da alimentação, do sedentarismo e do tabagismo. Instituto de Estudos de Saúde Complementar [Internet]. São Paulo; 2011. [citado 2014 Mar 28]. Disponível em: http://documents.scribd.com.s3.amazonaws.com/docs/3bf6qpfzuo3oglic.pdf

Laranjeira R, Pinsky I, Sanches M, Zaleski M, Caetano R. Alcohol use patterns among Brazilian adults. Rev Bras Psiquiatr. 2010;32(3):231-41. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462009005000012

Yokota RTC, Iser BPM, Andrade RLM, Santos J, Meiners MMMA, Assis DM, et al. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças e agravos não transmissíveis em município de pequeno porte, Brasil, 2010. Epidemiol Serv Saúde. 2012;21(1):55-68. DOI: http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742012000100006

Halford C, Wallman T, Welin L, Rosengren A, Bardel A, Johansson S, et al. Effects of self-rated health on sick leave, disability pension, hospital admissions and mortality. A population-based longitudinal study of nearly 15,000 observations among Swedish women and men. BMC Public Health. 2012;12:1103. DOI: http://dx.doi.org/10.1186/1471-2458-12-1103

Franks P, Gold MR, Fiscella K. Sociodemographics, self-rated health, and mortality in the US. Soc Sci Med. 2003;56(12):2505-14. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0277-9536(02)00281-2

Ilder EL, Benyamini Y. Self-rated health and mortality: a review of twenty-seven community studies. J Health Soc Behav. 1997;38(1):27-37.

Malta DC, Oliveira MR, Moura EC, Silva SA, Zouain CS, Santos FP, et al. Fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis entre beneficiários da saúde suplementar: resultados do inquérito telefônico Vigitel, Brasil, 2008. Ciênc Saúde Coletiva. 2011;16(3):2011-22. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000300035

Peres MA, Masiero GZ, Longo GZ, Rocha GC, Matos IB, Najnie K, et al. Auto-avaliação da saúde em adultos no Sul do Brasil. Rev Saúde Pública. 2010;44(5):901-11. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102010000500016

Borba E, Philipi A, Nascimento F, Guimarães A, Boff R, Spada P, et al. Perfil lipídico e obesidade em homens de um município da Região Sul do Brasil. Sci Med. 2012;22(1):18-24.

Nascimento Neto RM; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atlas Corações do Brasil [Internet]. São Paulo; 2010. [citado 2014 Maio 21]. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/programas/Atlas_CoracoesBrasil.pdf




DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc11(38)1248

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia