Hiperuricemia assintomática - tratar ou não tratar? - Uma revisão baseada na evidência

Autores

  • Helena Maria Ribeiro Fernandes Unidade de Saúde Familiar do Mar, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal
  • Ana Catarina Andrade Peixoto Unidade de Saúde Familiar do Mar, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal
  • Bruno Santos Maia Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal
  • Filipe Ribeiro Melo Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal
  • Pedro Nuno Rego Miranda Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc12(39)1396

Palavras-chave:

Hiperuricemia. Doenças Assintomáticas Ácido Úrico. Atenção Primária à Saúde

Resumo

Introdução: A avaliação dos níveis séricos de ácido úrico é realizada com frequência nos Cuidados de Saúde Primários, porém sem evidência científica que a justifique. A abordagem terapêutica subsequente constitui frequentemente um desafio clínico, particularmente no caso da hiperuricemia assintomática (HA). O objetivo desta revisão foi rever a evidência sobre a pertinência do tratamento da HA. Métodos: Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões sistemáticas (RS), meta-análises (MA) e estudos originais (EO) no Medline e outros sítios de Medicina Baseada na Evidência, publicados desde abril de 2012 até abril de 2016, em inglês, espanhol e português. Termos MeSH: “hyperuricemia” e ”asymptomatic conditions”. Resultados: Cinco estudos cumpriam os critérios de inclusão: uma MA, três RS e um EO. A MA e o EO recomendam o tratamento da HA, para a prevenção da disfunção renal e para prevenção de eventos cardiovasculares (CV), respetivamente. Duas RS não recomendam o tratamento da HA e uma recomenda uma decisão individualizada para valores de uricemia acima de 9mg/dL, particularmente para a prevenção da gota. Conclusões: A evidência científica disponível é escassa, com limitações, e controversa no que diz respeito à instituição de tratamento farmacológico. O significado clínico da HA e sua relação causal com ocorrência de crises agudas de gota, disfunção renal e doença cardiovascular ainda são incertos. Não existe evidência científica que justifique o tratamento farmacológico da HA em doentes assintomáticos (SOR B). São, por isso, necessários mais estudos, metodologicamente robustos e orientados para o paciente.

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Biografia do Autor

Helena Maria Ribeiro Fernandes, Unidade de Saúde Familiar do Mar, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar

Ana Catarina Andrade Peixoto, Unidade de Saúde Familiar do Mar, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar

Bruno Santos Maia, Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

Interno de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar

Filipe Ribeiro Melo, Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

Interno de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar

Pedro Nuno Rego Miranda, Unidade de Saúde Familiar Eça de Queirós, Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Porto IV, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portugal

Interno de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar

Referências

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Publicado

2017-03-01

Como Citar

1.
Fernandes HMR, Peixoto ACA, Maia BS, Melo FR, Miranda PNR. Hiperuricemia assintomática - tratar ou não tratar? - Uma revisão baseada na evidência. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 1º de março de 2017 [citado 28º de maio de 2022];12(39):1-6. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/1396

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