Síndrome de Burnout em Médicos de Estratégia Saúde da Família de Montes Claros, MG, e Fatores Associados

Ariadna Janice Drumond Morais, Cristiane Borborema Teles, Laryssa Ferreira Rocha, Marise Fagundes Silveira, Lucinéia de Pinho

Resumo


Objetivo: O estudo objetivou investigar a prevalência da síndrome de Burnout em médicos da Estratégia Saúde da Família em Montes Claros, MG, e sua associação com estresse no trabalho, desequilíbrio esforço-recompensa e qualidade de vida. Métodos: Foi realizada uma pesquisa epidemiológica, quantitativa, telematizada, analítica e transversal. O questionário autoaplicável Maslach Burnout Inventory foi aplicado a 89 médicos para diagnóstico da síndrome. Os médicos também proveram dados sociodemográficos e preencheram os instrumentos Job Stress Scale, Escala Desequilíbrio-Esforço-Recompensa e WHOQOL-BREF para identificação de condições de trabalho. As variáveis categóricas foram analisadas por distribuição de frequências. A associação entre variáveis de fatores de risco e presença de síndrome de Burnout foi realizada pelo teste de Qui-quadrado de Pearson. Resultados: Houve 100% de prevalência da síndrome de Burnout moderada nos médicos avaliados. Os escores das dimensões Exaustão e Despersonalização, constituintes do instrumento avaliativo da síndrome de Burnout, tiveram correlação positiva com alta demanda psicológica e profissional, alto desgaste e esforço, comprometimento excessivo ao trabalho e desbalanço na razão esforço-recompensa. Eles também se relacionaram a atributos de qualidade de vida, tais quais má condição física, social e ambiental. Conclusão: Medidas preventivas e interventivas devem ser tomadas para a diminuição do estresse laboral dos médicos avaliados, assim reduzindo a ocorrência da síndrome de Burnout.


Palavras-chave


Esgotamento Profissional; Saúde da Família; Atenção Primária à Saúde; Qualidade de Vida; Saúde do Trabalhador

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc13(40)1751

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