Perfil sociodemográfico e fatores de atração e saída dos médicos atuantes na estratégia saúde da família no município de Ponta Grossa, Paraná, Brasil

Autores

  • Lorena Slusarz Nogueira Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA).
  • Manoelito Ferreira Silva Junior Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA).
  • Erildo Vicente Müller Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA). https://orcid.org/0000-0003-4643-056X

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc16(43)2159

Palavras-chave:

Palavras-chave, atenção primária, assistência médica comunitária, estratégia saúde da família, recursos humanos em saúde

Resumo

Introdução: Diversos estudos destacam a alta rotatividade e a dificuldade de fixação dos profissionais nas equipes, especialmente médicos, como um dos grandes desafios para a consolidação da estratégia saúde da família (ESF) no Brasil. A rotatividade prejudica a longitudinalidade do cuidado, a formação do vínculo com a equipe e a qualidade da assistência prestada. Objetivo: Descrever o perfil sociodemográfico e os fatores de atração e saída de médicos inseridos na ESF.  Métodos: Estudo transversal com abordagem quantitativa, realizado entre março e abril de 2019, do município de Ponta Grossa-PR, Brasil, por meio de questionário semiestruturado e autoaplicado desenvolvido no estudo. A análise descritiva foi realizada por frequências relativas (%) e absolutas (n). Resultados: Participaram 61 médicos. Houve predomínio de profissionais mulheres (57,4%), com menos de 30 anos (49,2%), formou-se após 2015 (60,7%) e não é natural do município (82%). Apenas 1,6% possuía residência em medicina de família e comunidade e 9,8% especialização em saúde da família. Foi alto o percentual de médicos contratados pelo “Programa Mais Médicos” (82%) e que trabalha na ESF há menos de 6 meses (59%). A identificação com o trabalho foi apontada como o principal fator que levou à inserção na ESF, enquanto o excesso de demanda e de processos burocráticos foi mencionado como importante fator de desmotivação. O principal motivo de saída dos profissionais foi a realização de residência médica. Conclusão: Houve predomínio de profissionais com baixo tempo de trabalho na ESF do município oriundos do “Programa Mais Médicos”, em contratos temporários e relações trabalhistas precárias. A rotatividade médica é um assunto complexo, mas estratégias de valorização da carreira na atenção primária à saúde e a oferta de melhores condições de trabalho podem contribuir para sua resolução.

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Biografia do Autor

Lorena Slusarz Nogueira, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA).

Acadêmica do 5º ano do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Manoelito Ferreira Silva Junior, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA).

Graduado em Odontologia (2015) pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Especialista em Saúde Coletiva e da Família (2016) pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba - Universidade Estadual de Campinas (FOP-Unicamp). Mestre (2016) e Doutor (2018) em Odontologia (Saúde Coletiva) pela FOP-Unicamp (CAPES 7). Pós-doutorando no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Professor Colaborador do Departamento de Odontologia (Saúde Coletiva em Odontologia) e do Departamento de Enfermagem e Saúde Pública (Epidemiologia) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Suas linhas de pesquisas abordam os temas: Educação e Saúde, Integração Ensino-Serviço, Saúde Coletiva, Epidemiologia, Odontopediatria, Clareamento Dental e Dentifrícios. 

Erildo Vicente Müller, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil / Universidade de West Virginia (EUA).

Possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1991), mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (2005), doutorado em saúde coletiva pela Escola Paulista de Medicina (2011), Pós Doutorado em saúde coletiva pela Universidade Federal de São Paulo (2017). Chefe do Departamento de Enfermagem e Saúde Pública e professor Adjunto na Universidade Estadual de Ponta Grossa, ministrando aulas nos cursos de Farmácia e Medicina, nas disciplinas, epidemiologia, políticas de saúde e planejamento e gerenciamento de serviços de saúde. Docente dos cursos de especialização em Gestão de Serviços de Saúde e Vigilância em Saúde da Escola de Saúde Pública do Estado do Paraná e UEPG. Docente nos programas de residência multiprofissional do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais(HURCG). Docente do programa de pós graduação stricto sensu em ciências da saúde da UEPG. Atua em pesquisa nos seguintes temas: epidemiologia de doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis, estudos de mortalidade e avaliação em saúde.

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Publicado

2021-09-26

Como Citar

1.
Nogueira LS, Silva Junior MF, Müller EV. Perfil sociodemográfico e fatores de atração e saída dos médicos atuantes na estratégia saúde da família no município de Ponta Grossa, Paraná, Brasil. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 26º de setembro de 2021 [citado 17º de outubro de 2021];16(43):2159. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/2159

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa