Desafios das práticas de cuidado na Atenção Primária à Saúde a pessoas que vivem com HIV

Autores

  • Clarice de Azevedo Sarmet Loureiro Smiderle Secretaria Municipal de Saúde – Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9533-2432
  • Cesar Augusto Orazem Favoreto Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Medicina Integral Familiar e Comunitária – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc18(45)3218

Palavras-chave:

HIV, Ética Médica, Atenção Primária à Saúde, Integralidade em saúde, Retenção nos cuidados.

Resumo

Introdução: No contexto do cuidado e dos desafios presentes no deslocamento da assistência a pessoas que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (PVHIV) para a Atenção Primária à Saúde, objetos, ações e sentidos estão envolvidos nas relações desenvolvidas neste cenário de práticas. Objetivo: Analisar diferentes relações de cuidado no desenvolvimento do sucesso prático e os impasses na atenção a essa população, nesse contexto. Métodos: Observação participante e entrevistas semiestruturadas com profissionais de saúde e pacientes em uma Clínica de Família no município do Rio de Janeiro, envolvendo o conceito de “praticalidades” de Annemarie Mol, que explora os arranjos operacionais, atitudinais e relacionais observados da perspectiva da lógica do cuidado e da lógica da escolha. Na lógica do cuidado, as “praticalidades” atuam como mediadores que buscam superar limites morais, técnicos e sociais, sem predeterminar ou transferir a responsabilidade dos resultados, como na lógica da escolha. Resultados: As questões envolvidas no arranjo assistencial às PVHIV na Atenção Primária à Saúde podem envolver barreiras ao acesso e adesão ao tratamento relacionadas ao sigilo, mas também podem viabilizar oportunidades de aprofundamento dessas questões. Conclusões: Diferentes elementos podem ser mediadores de novas relações de cuidado para com as pessoas que vivem com o HIV.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Cesar Augusto Orazem Favoreto , Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Medicina Integral Familiar e Comunitária – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Médico, Doutor em Saúde Coletiva, Professor associado do Departamento de Medicina de Família e Comunidade da Faculdade de Ciências Médicas - UERJ.

Referências

Alves BL. Avaliação de implantação do novo modelo de cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS na cidade do Rio de Janeiro [dissertação de mestrado]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2017.

Melo EA, Maksud I, Agostini R. Cuidado, HIV/Aids e atenção primária no Brasil: desafio para a atenção no Sistema Único de Saúde? Rev Panam Salud Publica 2018;42:e151. https://doi.org/10.26633/RPSP.2018.151 DOI: https://doi.org/10.26633/RPSP.2018.151

Brasil. Lei nº. 9.313, de 13 de novembro de 1996. Dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos aos portadores de HIV e doentes de AIDS. Diário Oficial da União; 1996.

Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Práticas em HIV/Aids na Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

Starfield B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde; 2002.

Hart JT. The inverse care law. Lancet. 1971;1(7696):405-12. https://doi.org/10.1016/s0140-6736(71)92410-x DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(71)92410-X

Paiva V. Sem mágicas soluções: a prevenção e o cuidado em HIV/AIDS e o processo de emancipação psicossocial. Interface (Botucatu) 2002;6(11):25-38. https://doi.org/10.1590/S1414-32832002000200003 DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-32832002000200003

Afonso DH, Silveira LMC, Deveza M, Marques EL, Bártholo TP, Puig DSN. Fatos e marcas: das memórias e conquistas do Grupo Com Vida. Med. HUPE-UERJ 2016;15(3):261-70. https://doi.org/10.12957/rhupe.2016.29471 DOI: https://doi.org/10.12957/rhupe.2016.29471

Mol A. The body multiple: ontology in medical practice. Durham: Duke University Press; 2003. DOI: https://doi.org/10.2307/j.ctv1220nc1

Mol A. The logic of care: health and the problem of patient choice. London: Routledge; 2008.

Mattos RA. Integralidade, trabalho, saúde e formação profissional: algumas reflexões críticas feitas com base na defesa de alguns valores. In: Matta GC, Lima JCF, org. Estado, sociedade e formação profissional em saúde: contradições e desafios em 20 anos de SUS. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2008. p. 313-52. DOI: https://doi.org/10.7476/9788575415054

Minayo MCS. O Desafio do conhecimento, pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo/Rio de Janeiro: Hucitec/ABRASCO; 1992.

Creswell JW. Research design: Qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 3a ed. Thousand Oaks: SAGE Publications; 2009.

Lima JG, Giovanella L, Fausto MCR, Bousquat A, Silva EV. Atributos essenciais da Atenção Primária à Saúde: resultados nacionais do PMAQ-AB. Saúde em Debate 2018; 42(1):52-66. https://doi.org/10.1590/0103-11042018S104 DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042018s104

Alves de Carvalho VK, Godoi DF, Perini F de B, Vidor AC. Cuidado compartilhado de pessoas vivendo com HIV/AIDS na Atenção Primária: resultados da descentralização em Florianópolis. Rev Bras Med Fam Comunidade 2021;15(42):2066. https://doi.org/10.5712/rbmfc15(42)2066 DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc15(42)2066

Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2016.

Hamann C, Pizzinato A, Weber JLA, Rocha KB. Narrativas sobre risco e culpa entre usuários e usuárias de um serviço especializado em infecções por HIV: implicações para o cuidado em saúde sexual. Saude soc 2017;26(3):651-63. https://doi.org/10.1590/S0104-12902017170669 DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-12902017170669

Lima AM, Nascimento RT, Cazelli CM, Carvalho TGF. Atributos da Atenção Primária à Saúde e ferramentas de medicina de família no atendimento às diversidades sexual e de gênero: Relato de caso. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2019;14(41):1785. https://doi.org/10.5712/rbmfc14(41)1785 DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc14(41)1785

Minayo MCS. A Violência social sob a perspectiva da saúde pública. Cad Saúde Públ 1994;10(1):07-18. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1994000500002 DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X1994000500002

Parker R. Interseções entre estigma, preconceito e discriminação na saúde pública mundial. In: Monteiro S, Villela W, org. Estigma e saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2013. p. 25-46.

Azeredo YN, Schraiber LB. Violência institucional e humanização em saúde: apontamentos para o debate. Cien Saude Colet 2017; 22(9):3013-22. https://doi.org/10.1590/1413-81232017229.13712017 DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232017229.13712017

Bourdieu P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 1989.

Bonet OAR. Discriminação, violência simbólica e a Estratégia Saúde da Família: reflexões a partir do texto de Richard Parker. In: Monteiro S, Villela W, org. Estigma e saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2013. p. 47-59.

Favoreto CAO. A narrativa na e sobre a clínica de Atenção Primária: uma reflexão sobre o modo de pensar e agir dirigido pelo diálogo, à integralidade e ao cuidado em saúde [tese de doutorado]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 2007.

Alves PC. A experiência da enfermidade: considerações teóricas. Cad Saúde Públ 1993;9(3):263-71. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1993000300014 DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X1993000300014

Gerhardt TE. Itinerários terapêuticos em situações de pobreza: diversidade e pluralidade. Cad Saúde Públ 2006;22(11):2449-63. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001100019 DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001100019

Bonet OAR. Itinerações e malhas para pensar os itinerários de cuidado. a propósito de Tim Ingold. Sociol Antropol 2014;4(2):327-50. https://doi.org/10.1590/2238-38752014v422 DOI: https://doi.org/10.1590/2238-38752014v422

Tavares F. Rediscutindo conceitos na antropologia da saúde: notas sobre os agenciamentos terapêuticos. Mana 2017; 23(1):201-28. https://doi.org/10.1590/1678-49442017v23n1p201 DOI: https://doi.org/10.1590/1678-49442017v23n1p201

Bonet OAR, Tavares FRG. O usuário como mediador. Em busca de uma perspectiva “ecológica” sobre os condicionantes sociais de saúde. In: Pinheiro R, Mattos RA, organizadores. Cuidar do Cuidado: responsabilidade com a integralidade das ações de saúde. Rio de Janeiro: CEPESC – IMS/UERJ – ABRASCO; 2008. p. 191-201.

Martins PH. MARES (Metodologia de Análise de Redes do Cotidiano): aspectos conceituais e operacionais. In: Pinheiro R, Martins PH, organizadores. Avaliação em saúde na perspectiva do usuário: abordagem multicêntrica. Rio de Janeiro/Recife: CEPESC-IMS/UERJ – Editora UFPE – ABRASCO; 2009. p. 61-89.

Santos NJSS. Mulher e negra: dupla vulnerabilidade às DST/HIV/aids. Saude soc 2016;25(3):602-18. https://doi.org/10.1590/S0104-129020162627 DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-129020162627

Parker R. Estigmas do HIV/Aids: novas identidades e tratamentos em permanentes sistemas de exclusão. Rev Electron Comun Inf Inov Saude 2019;13(3):1-16. https://doi.org/10.29397/reciis.v13i3.1922 DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v13i3.1922

Ferreira DC, Favoreto CAO. A análise da narrativa dos pacientes com HIV na construção da adesão terapêutica. Physis 2011;21(3):917-36. https://doi.org/10.1590/S0103-73312011000300009 DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-73312011000300009

Oliveira MAC, Pereira IA. Atributos essenciais da Atenção Primária e a Estratégia Saúde da Família. Rev bras enferm 2013;66(Spe):158-64. https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000700020 DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000700020

Zambenedetti G, Silva RAN. Descentralização da atenção em HIV-Aids para a atenção básica: tensões e potencialidades. Physis 2016;26(3):785-806. https://doi.org/10.1590/S0103-73312016000300005 DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-73312016000300005

Bonet OAR, Tavares FRG, Campos EMS, Bustmante MT, Rodrigues MG. Situação-centrada, rede e itinerário terapêutico: o trabalho dos mediadores. In: Pinheiro R, Martins PH, org. Avaliação em saúde na perspectiva do usuário: abordagem multicêntrica. Rio de Janeiro/Recife: CEPESC-IMS/UERJ – Editora UFPE – ABRASCO; 2009. p. 241-50.

Camargo Jr KR. A importância das abordagens abrangentes na prevenção do HIV/Aids. Physis 2013; 23(3):677-680. https://doi.org/10.1590/S0103-73312013000300001 DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-73312013000300001

Brasil. Ministério da Saúde. Cuidado integral às pessoas que vivem com HIV pela Atenção Básica Manual para a equipe multiprofissional. Brasília; 2015.

Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Infecção pelo HIV e AIDS: prevenção, diagnóstico e tratamento na atenção primária. 2a ed. Rio de Janeiro: SMS; 2018.

Garbin CAS, Sandre AS, Rovida TAS, Pacheco KTS, Pacheco Filho AC, Garbin AJI. O cuidado para pessoas com HIV/AIDS sob a ótica de agentes comunitários de saúde. Trab Educ Saúde 2019;17(1):e0018508. https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00185 DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00185

Mol A, Moser I, Pols J, org. Care: putting practice into theory. Bielefeld: transcript Verlag; 2015.

Publicado

2023-02-28

Como Citar

1.
Smiderle C de ASL, Favoreto CAO. Desafios das práticas de cuidado na Atenção Primária à Saúde a pessoas que vivem com HIV. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 28º de fevereiro de 2023 [citado 21º de março de 2023];18(45):3218. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/3218

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit