Abordagem integral à saúde LGBTQIA+ e seus desafios em um município do sudoeste mineiro
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)3621Palavras-chave:
Atenção primária à saúde, Disparidades nos níveis de saúde, Minorias sexuais e de gênero, Saúde das minoriasResumo
Introdução: A Constituição Federal e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) consolidam a saúde como direito de todos, mas pessoas LGBTQIA+ ainda encontram barreiras no acesso. O tratamento muitas vezes discriminatório e heteronormativo acentua essa vulnerabilidade. As demandas dessa população são frequentemente restritas a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), evidenciando despreparo profissional e a necessidade de um atendimento integral. Objetivo: Descrever as etapas e analisar os resultados encontrados sobre o projeto de pesquisa “Caracterização da assistência em saúde à população LGBTQIA+ em um município do sudoeste mineiro”, realizado na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), em Passos/MG. Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório, descritivo e analítico realizado em 22 unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) em Passos/MG, entre setembro e novembro de 2022. A pesquisa incluiu 136 profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF). A coleta de dados seguiu um cronograma definido após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UEMG e foi realizada por meio de dois questionários autopreenchidos: um sociodemográfico e outro sobre a percepção e o conhecimento dos profissionais em relação à saúde LGBTQIA+. O instrumento foi refinado por oito especialistas, que sugeriram ajustes nas perguntas para garantir maior adequação. As respostas foram tabuladas e analisadas no software SPSS. Resultados: Dos profissionais entrevistados, 80,1% relataram que não se lembram ou não receberam capacitação sobre saúde LGBTQIA+; 28,7% avaliaram seu conhecimento sobre a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros (PNSI-LGBT) como “bom”, enquanto 70,5% classificaram como “mediano” ou “ruim”. Ainda assim, 56,6% acreditam que suas equipes estão aptas para atender essa população. No entanto, a discrepância entre o baixo nível de capacitação e a percepção de aptidão para o atendimento revela uma lacuna significativa na formação profissional. A maioria dos participantes (75,7%) concorda que a inclusão de conteúdos sobre diversidade sexual e de gênero nos currículos de formação é essencial, em contraste com os 8,1% que não veem relevância. A maioria dos profissionais reconhece a sexualidade como determinante em saúde (77,2%). Conclusões: Os resultados, embora limitados em função da amostra e região, trazem dados que vão ao encontro da literatura: há uma defasagem e um despreparo profissional. Recomenda-se a implementação de capacitações regulares e a criação de estratégias que reforcem políticas públicas inclusivas. A adoção dessas práticas pode contribuir para melhorar o cuidado integral e reduzir as iniquidades no acesso à saúde.
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