Promoção de saúde física e mental com mulheres privadas de liberdade: uma estratégia de ensino na graduação de Medicina
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)3633Palavras-chave:
Prisioneiros, Saúde da mulher, Saúde mentalResumo
Problema: O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial do número de pessoas encarceradas, devido ao aumento progressivo de prisões que tem ocorrido há pelo menos duas décadas. Neste contexto, destaca-se que existem mais de 40 mil mulheres privadas de liberdade no Brasil, que são, em sua maioria, jovens, pardas e com baixa escolaridade. A estrutura carcerária atual pode submeter seus ocupantes a condições insalubres, pois apresenta superlotação de celas e escassez de programas que estimulem a reinserção social. Tal situação contribui para o agravamento da saúde física e mental dessa população, considerada vulnerável. Método: Trata-se de um relato de experiência acerca de uma Oficina de Produção em Saúde realizada com mulheres detentas em regime provisório e conduzida por discentes de um curso de Medicina em um conjunto penal no interior da Bahia no ano de 2021. Para a melhoria de sua saúde física e mental, as internas foram divididas em dois grupos; em cada um deles foram realizadas atividades que envolveram integração, artes, musicalidade, exercícios físicos e devolutiva. Resultados: Com o desenvolvimento da oficina, os envolvidos puderam trocar experiências, exercitar o autoconhecimento por meio de desenhos ou retratos e aliviar as tensões acumuladas com música, dança e ginástica funcional. Conclusão: A experiência foi enriquecedora para a formação de discentes mais reflexivos sobre as condições sociais do público atendido e proveitosa para as detentas, que avaliaram de forma positiva as ações realizadas, evidenciando a importância do intercâmbio entre universidade e sociedade.
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