Metemoglobinemia como efeito adverso do tratamento para hanseníase

relato de caso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc18(45)3634

Palavras-chave:

Hanseníase, Dapsona, Metemoglobinemia, Evento adverso, Relatos de casos.

Resumo

Introdução: O tratamento da hanseníase consiste em um regime de poliquimioterapia com as seguintes drogas: Rifampicina, Dapsona e Clofazimina. Entre os efeitos colaterais, a metemoglobinemia decorre do uso da Dapsona e requer atenção especial, pois enseja a necessidade de suspensão da medicação e, em casos graves, de internação hospitalar. Trata-se de uma complicação rara, na qual ocorre uma anomalia da hemoglobina, que impossibilita a captação e a liberação de oxigênio. É provocada pela ação da Dapsona, quando administrada em quantidade e em duração além das recomendadas. Destacam-se como sinais e sintomas a presença de cianose, baixa saturação de oxigênio e dispneia aos esforços, embora a PaO2 esteja de acordo com os valores de referência. O diagnóstico da metemoglobinemia é realizado pela co-oximetria. Pacientes com cianose ou sintomas de hipoxemia, com PaO2 suficientemente alta, apresentam elevada suspeição. Apresentação do caso: Apresenta-se um caso de metemoglobinemia identificado na Atenção Primária à Saúde (APS) durante um tratamento de hanseníase, que exigiu condução minuciosa, culminando na suspensão da poliquimioterapia, com resolução do evento adverso. Conclusão: O acompanhamento clínico rigoroso pela APS durante o tratamento da hanseníase possibilita o reconhecimento precoce de eventuais efeitos adversos da poliquimioterapia, bem como a adoção das devidas medidas.

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Biografia do Autor

Hassã Lemos, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Médico de Família e Comunidade, atuando na Estratégia de Saúde da Família de Fortaleza-CE. É preceptor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade e da graduação de Medicina do Centro Universitário Christus (Unichristus). 



Francisca Araújo, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduanda do curso de Medicina no Centro Universitário Christus (Unichristus), em Fortaleza-CE. Membro de um projeto de extensão voltado para a abordagem das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS)  em Fortaleza-CE.

Marianny Barreto, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduanda do curso de Medicina do Centro Universitário Christus (Unichristus), localizado em Fortaleza-CE. Participa de um projeto de extensão voltado para a abordagem das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS)  em Fortaleza-CE.



Thaynã Silva, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduanda do curso de Medicina no Centro Universitário Christus (Unichristus), em Fortaleza-CE. Membro de um projeto de extensão voltado para a abordagem das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS)  em Fortaleza-CE.

Matheus Cavalcante, Universidade de Fortaleza – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduando do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), em Fortaleza-CE. Participou da Liga Acadêmica de Medicina do Trabalho e Epidemiologia.



Roberta Oliveira, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduanda do curso de Medicina do Centro Universitário Christus (Unichristus), localizado em Fortaleza- CE. Participa de um projeto de extensão voltado para a abordagem das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS)  em Fortaleza-CE.



Milena Nunes, Centro Universitário Christus – Fortaleza (CE), Brasil.

Graduanda do curso de Medicina do Centro Universitário Christus (Unichristus), localizado em Fortaleza-CE. Participa de um projeto de extensão voltado para a abordagem das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS)  em Fortaleza-CE.



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Publicado

2023-12-22

Como Citar

1.
Lemos H, Araújo F, Barreto M, Silva T, Cavalcante M, Oliveira R, Nunes M. Metemoglobinemia como efeito adverso do tratamento para hanseníase: relato de caso. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 22º de dezembro de 2023 [citado 20º de fevereiro de 2024];18(45):3634. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/3634

Edição

Seção

Casos Clínicos

Plaudit