Burnout em residentes de saúde da família

um estudo longitudinal

Autores

  • Luciane Loures dos Santos Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Ribeirão Preto (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-2585-1544
  • Luciano de Paula Loyola Netto Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Ribeirão Preto (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-1501-9367

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc18(45)3858

Palavras-chave:

Esgotamento Profissional, Internato e Residência, Estratégia saúde da família.

Resumo

Introdução: A síndrome de burnout é definida como um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam o sofrimento do trabalhador em seu ambiente, podendo se manifestar em perda de motivação e insatisfação profissional, definida por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional. O objetivo deste artigo é apresentar a ocorrência de esgotamento profissional, fatores de risco e proteção em residentes de programas de Residências de Medicina de Família e Comunidade e Multiprofissional no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Método: Estudo longitudinal que aplicou, em cinco momentos, um questionário sociodemográfico, o Maslach Burnout Inventory e o Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) em todos os 33 residentes matriculados em 2018 em programas relacionados à Saúde da Família de uma universidade pública do interior paulista ao longo dos dois anos. Os dados foram analisados de maneira descritiva e utilizando regressão ajustada pelo método de Poisson para analisar as associações de maneira multidimensional em duas modalidades, com intervalo de confiança de 95% (IC95%). Resultados: A maioria dos participantes era da faixa etária de 25–29 anos (48,5%), solteira (90,9%), advinda da Região Sudeste do Brasil (84,9%) e do sexo feminino (81,8%). Os participantes apresentaram maiores índices de burnout no segundo semestre do segundo ano, tanto quando analisados os três índices (14,29%) como quando analisados dois ou três (60,17%). Os residentes mais jovens apresentaram maiores índices de burnout para os dois critérios adotados, bem como os médicos. Além disso, houve associação do burnout com a sobrecarga de trabalho (risco relativo — RR: 11,96 e IC95% 1,96–73,04), a não realização de atividades de lazer (RR: 63,00; IC95% 1,25–8,52) e o tratamento psiquiátrico (RR: 24,84 e IC95% 1,01–606). Conclusão: Os resultados obtidos estão em consonância com a literatura, apresentando na variável tempo um momento de maior ocorrência. A identificação da síndrome de burnout permite que os programas de residência elaborem medidas de prevenção que garantam melhor aproveitamento profissional, preparando de maneira responsável os egressos ao mercado de trabalho.

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Biografia do Autor

Luciane Loures dos Santos, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1998) Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade, fez Mestrado em Saúde na Comunidade (2003) e Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é docente colaborador da FMRP-USP. Tem experiência na área de Medicina de Família, atuando principalmente com os seguintes temas: Medicina de Família e Comunidade, Atenção Primária à Saúde e Prevenção de Doenças e Promoção da Saúde.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0732219870902709

Luciano de Paula Loyola Netto, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso. Especialização médica em Medicina de Família e Comunidade pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, HCFMRP - USP. Mestrado Profissional em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

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Publicado

2023-12-05

Como Citar

1.
Santos LL dos, Netto L de PL. Burnout em residentes de saúde da família: um estudo longitudinal . Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 5º de dezembro de 2023 [citado 20º de fevereiro de 2024];18(45):3858. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/3858

Edição

Seção

Especial Residência Médica

Plaudit