Estratégias de identificação e de acompanhamento de mulheres em situação de violência doméstica atendidas na Atenção Primária à Saúde
uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc20(47)4382Palavras-chave:
Violência contra a mulher, Violência doméstica, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS) é porta de entrada de usuários da saúde para serviços de cuidado, sendo necessário que os profissionais que ali trabalham saibam reconhecer a demanda de violência doméstica contra as mulheres. Objetivo: Analisar as estratégias adotadas por profissionais da APS para a identificação e o cuidado de casos de violência doméstica contra mulheres cometida por parceiro íntimo (VDCM), no contexto do Brasil e de outros países. Métodos: Foi realizada uma revisão integrativa de literatura nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Publications from MEDLINE (PubMed) com os descritores: violência contra a mulher AND atenção primária à saúde. Resultados: Foram selecionados 23 artigos (16 manuscritos são publicações nacionais e sete internacionais). Entre as estratégias que os profissionais da saúde utilizam para identificar casos de violência doméstica nos serviços que compõem a APS, destacam-se: acolhimento, escuta qualificada, construção de vínculo com as mulheres nos atendimentos e desenvolvimentos de grupos. Nota-se o momento de realização do pré-natal e do exame ginecológico colpocitológico como espaços propícios para a identificação de mulheres em situação de violência. Dentre as estratégias de acompanhamento e cuidado proporcionadas às mulheres em situação de violência doméstica, salientam-se: acolhimento, escuta qualificada, atuações da equipe, especialmente o papel das Agentes Comunitárias de Saúde, além dos encaminhamentos para profissionais da rede de enfrentamento da violência doméstica. Dentre os desafios encontrados, ressaltam-se a subnotificação dos casos de violência doméstica e a baixa capacitação dos profissionais para identificarem e acompanharem mulheres em situação de violência de gênero. Conclusões: Ressalta-se a importância do fortalecimento do diálogo da APS com a Rede de Enfrentamento à Violência contra Mulheres para que os profissionais estejam mais atentos aos sinais de identificação durante as consultas e saibam os fluxos de acompanhamento dos casos e encaminhamentos; além da necessidade de aprimorar os financiamentos de políticas públicas destinadas às mulheres, com o intuito de garantir direitos femininos e combater as violências de gênero.
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