Avaliação de Acuidade Visual pelo Programa Saúde na Escola: impactos e proposições para aprimoramento

Autores

  • Caroline Kuhn Machado Universidade Federal de Pelotas – Pelotas (RS), Brasil.
  • Rafaela Brugalli Zandavalli Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Medicina – Porto Alegre (RS), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3636-5808

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4684

Palavras-chave:

Programas de rastreamento, Acuidade visual, Serviços de saúde escolar, Oftalmologia, Atenção primária à saúde

Resumo

Introdução: Erros refrativos são muito comuns na infância e frequentemente tardam em ser detectados e tratados, prejudicando a saúde e o desenvolvimento escolar. A Avaliação da Acuidade Visual do Programa Saúde na Escola (AAV-PSE) visa realizar uma triagem oftalmológica e alertar os pais para a necessidade de investigação adicional. O projeto Porto Olhar Alegre (PPOA) fornece óculos gratuitamente a crianças e adolescentes da cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul. Objetivo: Verificar a prevalência de alterações visuais em estudantes do ensino fundamental de uma escola pública por meio da AAV-PSE de uma Unidade de Saúde e o desdobramento da ação (encaminhamento à consulta oftalmológica e ao PPOA). Métodos: Trata-se de um estudo observacional descritivo com 135 alunos do 1º e 3º anos escolares avaliados sistematicamente com a tabela de Snellen, em Porto Alegre, em 2022 e 2023. Adicionalmente, em 2023, 42 alunos de outros anos foram avaliados após pré-triagem (seletivamente indicados pelos professores). Foram revisados os encaminhamentos à oftalmologia e ao PPOA de estudantes com resultados alterados na AAV-PSE com base no Sistema de Gerenciamento de Consultas do Sistema Único de Saúde e nos dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde. Resultados: Entre os 49 estudantes de 1º e 3º anos com triagem alterada (36,2% dos avaliados), 32 receberam encaminhamento para consulta oftalmológica após busca ativa e 24 tiveram atendimento confirmado. Seis consultaram no setor privado e quatro obtiveram óculos pelo PPOA. Em relação aos alunos de outros anos, 21 (50% dos avaliados) tiveram alteração na AAV-PSE, oito foram encaminhados ao oftalmologista via Sistema Único de Saúde, quatro realizaram consulta e dois adquiriram óculos pelo PPOA. Conclusões: A triagem visual da AAV-PSE detectou elevado número de crianças com distúrbios visuais não tratados, reforçando a importância desta iniciativa implementada pelas unidades de saúde, em especial em contextos de maior vulnerabilidade. A avaliação adicional e seletiva de alunos de outros anos escolares, indicados pelos professores, ampliou a detecção. A busca ativa das crianças com alterações reforçou aos pais a indicação de procurar encaminhamento à oftalmologia, refletindo no aumento da procura pelo serviço. O esforço conjunto da escola e da Unidade de Saúde em divulgar a gratuidade de óculos pelo PPOA necessita ser reforçado. O fortalecimento de políticas de saúde ocular, como sistemas de monitoramento e facilitação do acesso às consultas especializadas e ao PPOA, poderia ser desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde por meio de uma linha de cuidado em saúde ocular escolar.

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Biografia do Autor

Caroline Kuhn Machado, Universidade Federal de Pelotas – Pelotas (RS), Brasil.

Médica de Família e Comunidade pelo Grupo Hospitalar Conceição. Graduada pela Universidade Federal de Pelotas. 

Rafaela Brugalli Zandavalli, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Medicina – Porto Alegre (RS), Brasil.

Médica de Família e Comunidade (MFC) e Mestre em Educação em Ciências (PPgECi - UFRGS). Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

1.
Machado CK, Zandavalli RB. Avaliação de Acuidade Visual pelo Programa Saúde na Escola: impactos e proposições para aprimoramento. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 14º de outubro de 2026 [citado 14º de outubro de 2026];21(48):1-16. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/4684

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit