Área de moradia e saúde dos pés em diabéticos: associação com perfil socioeconômico, condições clínicas e autocuidado
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4883Palavras-chave:
Pé diabético, Diabetes mellitus, Autocuidado, Determinantes sociais da saúde, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: O pé diabético é uma das complicações crônicas de maior morbimortalidade e impacto socioeconômico, especialmente em indivíduos mais vulneráveis e residentes em áreas rurais. Objetivo: Avaliar a relação entre área de moradia e saúde dos pés em pessoas com Diabetes Mellitus (DM), considerando perfil socioeconômico, condições clínicas e práticas de autocuidado. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal e quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Ocorreu em Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Petrolina – PE e avaliou 103 diabéticos, residentes em zona urbana (n=75) e rural (n=28), por meio de questionário estruturado sobre variáveis socioeconômicas, condições clínicas e autocuidado com os pés; e de exame de Perda de Sensibilidade Protetora (PSP) com monofilamento de Semmes-Weinstein de 10 g. Resultados: A amostra apresentou uma média de 58,3± anos de idade, composta majoritariamente por mulheres (75,7%), autodeclarados pardos (55,3%) e pretos (29,1%), e solteiros, viúvos ou divorciados (55,3%). Houve predomínio de baixa escolaridade (analfabetos ou com ensino fundamental incompleto) (61,2%) e baixos níveis socioeconômicos – classe C (63,1%). Predominou, também, o diagnóstico de DM há mais de 5 anos (54,4 %), com tratamento não insulinodependente (69,9%), comorbidades como obesidade associada à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (37,9%) e HAS isolada (25,2%), e complicações como a retinopatia diabética (15,9%). A maioria dos participantes (85,4%) não apresentou histórico de lesões ulcerosas prévias nos pés. Houve baixa adesão à prática regular de atividades físicas (26,2%), porém bons índices de acompanhamento em saúde (70% com realização de 2 ou mais exames de monitoramento, enquanto 88,4% compareceram a 2 ou mais consultas no último ano). A avaliação periódica dos pés era realizada por 59,2% dos participantes, com PSP presente em 31,1%. A comparação entre áreas de moradia revelou associação significativa apenas com menor escolaridade em moradores rurais e maior PSP entre moradores urbanos (p<0,005). A classe social não previu ocorrência prévia de úlceras, escolha terapêutica ou perda de sensibilidade protetora (p>0,05). Conclusões: Os resultados sugerem que a perda de sensibilidade protetora está associada à moradia urbana, contrariando expectativas de maior vulnerabilidade na área rural.
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