Evidências sobre tratamentos clínicos conservadores para doença hemorroidária

Fernanda da Silva Barbosa, Jardel Corrêa de Oliveira, Charles Dalcanale Tesser

Resumo


Objetivo: o objetivo desta avaliação de tecnologia em saúde foi analisar as evidências sobre tratamentos clínicos conservadores para doença hemorroidária utilizáveis na Atenção Primária à Saúde. Métodos: buscou-se no Embase, LILACS e MEDLINE via Pubmed por meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos controlados e aleatorizados, publicados até dezembro de 2012, sem limite de linguagem. Os estudos deveriam avaliar os efeitos dos tratamentos clínicos conservadores (fibras ou laxantes, flavonoides, analgésicos, corticosteroides, banhos de assento ou pomadas de nitroglicerina) comparados a placebo ou entre si. Os desfechos considerados foram: melhora global dos sintomas, sangramento, prurido, dor, prolapso e efeitos adversos. Resultados: uma meta-análise demonstrou que fibras promovem melhora global dos sintomas e do sangramento e diminuem a recorrência após procedimentos ambulatoriais. Três meta-análises mostraram a eficácia de flavonoides para sangramento agudo e pós-operatório, melhora global dos sintomas, exsudação perianal e recorrência após episódio agudo. Não houve diferença estatística para prurido, dor, prolapso ou efeitos adversos nos dois casos. Flavonoides do tipo rutosídeos reduziram sintomas em gestantes, apesar da insuficiência dos dados para comprovar sua segurança. Não foram encontrados estudos que preenchessem os critérios de seleção para os demais tipos de tratamento. Conclusões: fibras ou flavonoides orais podem ser utilizados na atenção primária para a melhora global dos sintomas e sangramento na doença hemorroidária graus I e II; para paciente grau III que não deseje se submeter a procedimento ambulatorial; e no pós-operatório. Ensaios clínicos controlados e aleatorizados com qualidade metodológica adequada são necessários para confirmar estes resultados.


Palavras-chave


Avaliação da Tecnologia Biomédica; Terapêutica; Hemorroidas; Atenção Primária à Saúde

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc9(31)786

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