Prevalência de esteatose hepática e consumo de álcool em participantes do Projeto Atividade Física na Vila

Gisele L. N. Soler, Albert Wilson S. M. Silva, Valéria C. G. da Silva, Rosimere de J. Teixeira

Resumo


A esteatose hepática é um achado cada vez mais frequente em exames de rastreamento por estudo de imagem. Tem sido descrita associação entre esteatose, obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica (SM). Também parece existir sinergismo entre esteatose hepática, álcool e fibrose hepática. O objetivo foi descrever a prevalência de esteatose e de etilismo nos participantes do Projeto “Atividade Física na Vila” e avaliar sua associação com a presença de obesidade e obesidade visceral. Foi realizada ultrassonografia abdominal em 69 participantes, 53,02±1,26 anos, sendo avaliados a presença e o grau de esteatose e as medidas da gordura subcutânea e visceral (GV). Foram excluídos os pacientes com hepatite viral e com etilismo significativo na anamnese ou após teste AUDIT. Após análise inicial, 60 pacientes foram avaliados quanto aos dados antropométricos e divididos em 2 grupos: com e sem esteatose. A prevalência de etilismo foi de 8,7%. A esteatose hepática foi observada em 37% dos pacientes sendo a maioria classificada como leve e moderada (91%). O grupo com esteatose apresentou aumento significativo de IMC (34,±8,7 versus 29,8±6,5kg/m2), cintura abdominal (102,6±12,7 versus 95,3±12,3cm), peso (85,8±18,7 versus 74,5±17,7kg) e GV (47,9±10,5 versus 36,0±12,7mm). A esteatose hepática é comum em obesos, especialmente naqueles com obesidade visceral. Sabemos que o álcool e a obesidade visceral podem estar envolvidos em seu mecanismo fisiopatológico. Por isso, os pacientes com esteatose hepática e consumo excessivo de álcool podem apresentar maior chance de evoluir desfavoravelmente para a cirrose e insuficiência hepática.

Palavras-chave


Fígado Gorduroso; Esteatose hepática; Esteatohepatite; Obesidade; Alcoolismo

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc6(18)97

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