Benefícios dos grupos no manejo da hipertensão arterial sistêmica: percepções de pacientes e médicos

Rodrigo Pereira do Amaral, Charles Dalcanale Tesser, Pedro Müller

Resumo


Objetivo: investigar a natureza dos benefícios da utilização de grupos nos serviços de atenção primária à saúde no manejo da hipertensão arterial, sob a ótica de pacientes e médicos participantes. Métodos: estudo qualitativo descritivo por meio de entrevistas semiestruturadas com pacientes e médicos participantes de grupos distintos consolidados, selecionados intencionalmente, incluídos em pares médico-paciente, até ser percebida saturação nos dados. As entrevistas foram submetidas à análise temática. Resultados e discussão: a análise das entrevistas indicou benefícios em quatro campos: educação em saúde, adesão, apoio psicossocial e melhora na qualidade de vida. Efeitos promotores de saúde foram percebidos pelos participantes, embora restritos ao nível individual e comunitário. Os grupos atenuam a “inadequação comportamental” da estratégia preventiva de alto risco, segundo Geoffrey Rose, base do manejo atual da hipertensão. Também melhoram e facilitam a função educativa dos profissionais de saúde, auxiliando na adesão e incrementando significativamente o apoio social dos pacientes. Conclusões: a utilização dos grupos de hipertensos pode melhorar o manejo da hipertensão e promover a saúde dos envolvidos e, se conduzidos de forma dialogal e participativa, seus benefícios podem ser amplificados.


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde; Educação em Saúde; Hipertensão; Grupos de Autoajuda

Texto completo:

PDF/A

Referências


Chobanian AV, Bakris GL, Black HR, Cushman WC, Green LA, Izzo JL Jr, et al. The Seventh Report of the Joint National Comittee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure: the JNC 7 report. JAMA. 2003; 289(19): 2560-72. PMid:12748199. http://dx.doi.org/10.1001/jama.289.19.2560

European Society of Hypertension, European Society of Cardiology Guidelines Committee. 2003 European Society of Hypertension-European Society of Cardiology guidelines for the management of arterial hypertension. J Hypertens. 2003; 21(6): 1011-1053. PMid:12777938. http://dx.doi.org/10.1097/00004872-200306000-00001

Duarte MTC, Cyrino AP, Cerqueira ATAR, Nemes MIB, Iyda, M. Motivos do abandono do seguimento médico no cuidado a portadores de hipertensão arterial: a perspectiva do sujeito. Ciênc Saúde Coletiva. 2010;15(5):2603-2610. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000500034

Souza MLP, Garnello L. “É muito dificultoso!”: etnografia dos cuidados a pacientes com hipertensão e/ou diabetes na atenção básica, em Manaus, Amazonas, Brasil. Cad Saúde Pública. 2008; 24(suppl.1): s91-s99. PMid:18660917. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008001300014

Lima MT, Bucher JSNF, Lima JWO. A hipertensão arterial sob o olhar de uma população carente: estudo exploratório a partir dos conhecimentos, atitudes e práticas. Cad Saúde Pública. 2004; 20(4): 1079-1087. PMid:15300301. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2004000400023

Nissinen A, Berrios X, Puska P. Community-based noncommunicable disease interventions: lessons from developed countries for developing ones. Bull World Health Organ. 2001; 79(10): 963-970. PMid:11693979 PMCid:PMC2566669.

Kulcar Z. Self-help, mutual AID and chronic patients’ clubs in Croatia, Yugoslavia: discussion paper. J R Soc Méd. 1991; 84(5): 288-291. PMid:2041007 PMCid:PMC1293228.

Casanova F, Osorio LC, Dias LC. Abordagem comunitária: grupos na atenção primária à saúde. In: Gusso G, Lopes JMC, organizadores. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto alegre: Artmed; 2012. v. 1, p. 265-273.

Diao D, Wright JM, Cundiff DK, Gueyffier F. Pharmacotherapy for mild hypertension. Cochrane Database Syst Rev. 2012; (8): CD006742. http://dx.doi.org/10.1002/14651858.CD006742.pub8

Fontanella BJB, Ricas J, Turato ER. Amostragem por saturação em pesquisas qualitativas em saúde: contribuições teóricas. Cad Saúde Pública. 2008; 24(1): 17-27. PMid:18209831. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008000100003

Bardin L. Análise de conteúdo. 3. ed. Lisboa: Edições 70; 2004.

Cotta RMM et al. Reflexões sobre o conhecimento dos usuários no contexto do Programa de Saúde da Família: a lacuna entre o saber técnico e o popular. Physis. 2008; 18(4): 745-766. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312008000400008

Alves VS. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface: Comunic Saúde Educ. 2005; 9(16): 39-52. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832005000100004

Cyrino AP, Schraiber LB. Promoção da saúde e prevenção de doenças: o papel da educação e da comunicação. In: Martins MA, Carrilho FJ, Alves VAF, Castilho EA, Cerri GG, Wen CL, organizadores. Clínica Médica, Barueri: Manole; 2009. v. 1, p. 470-477.

Rose G. Estratégias da Medicina Preventiva. Porto Alegre: Artmed; 2010.

Ferreira Neto JL, Kind L. Práticas grupais como dispositivo na promoção da saúde. Physis. 2010;20(4):1119-1142.

Freire P. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987.

Gomes LB, Merhy EE. Compreendendo a educação popular em saúde: um estudo na literatura brasileira. Cad Saúde Pública. 2011; 27(1): 7-18. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011000100002

Vasconcelos EM. Educação popular nos serviços de saúde. 3. ed. São Paulo: Hucitec; 1997.

Ribeiro AG et al. Representações sociais de mulheres portadoras de hipertensão arterial sobre sua enfermidade: desatando os nós da lacuna da adesão ao tratamento na agenda da saúde da família. Physis. 2011; 21(1): 87-112. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312011000100006

Tesser CD. Três considerações sobre a “má medicina”. Interface: Comunic Saúde Educ. 2009; 13(31): 273-86.

Cyrino AP. Entre a ciência e a experiência: uma cartografia do autocuidado no diabetes. São Paulo: Ed. UNESP; 2009.

Haynes RB, Ackloo E, Sahota N, McDonald HP, Yao X. Interventions for enhancing medication adherence. Cochrane Database Syst Rev. 2008 Apr 16; (2): CD000011. http://dx.doi.org/10.1002/14651858.CD000011.pub3

Valla VV. Educação popular, saúde comunitária e apoio social numa conjuntura de globalização. Cad Saúde Pública. 1999; 15(supl.2): 7-14.

Czeresnia D, Freitas CM. Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2003.

Carvalho SR. Os múltiplos sentidos da categoria “empowerment” no projeto de Promoção à Saúde. Cad Saúde Pública. 2004; 20(4): 1088-1095. PMid:15300302. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2004000400024

Santos LM, Da Ros MA, Crepaldi MA, Ramos LR. Grupos de promoção à saúde no desenvolvimento da autonomia, condições de vida e saúde. Rev Saúde Pública. 2006; 40(2): 346-352. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000200024

Fernandes, MTO, Silva LB, Soares SM. Utilização de tecnologias no trabalho com grupos de diabéticos e hipertensos na Saúde da Família. Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(suppl.1): 1331-1340. PMid:21503483. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000700067




DOI: http://dx.doi.org/10.5712/rbmfc8(28)762

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2014 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade



 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia