Infecção do trato urinário durante a gravidez na Amazônia Ocidental
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4455Palavras-chave:
Atenção primária à saúde, Condições sensíveis à atenção primária, Infecções urinárias, Gravidez, Sistemas de informação hospitalarResumo
Introdução: A universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios como subfinanciamento e desigualdades regionais. As Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), incluindo Infecções do Trato Urinário (ITUs) na gravidez, são indicadores de baixa resolubilidade da atenção primária e apontam deficiências no acompanhamento pré-natal e na cobertura de saúde. Objetivo: Caracterizar as internações por infecções do trato urinário na gravidez na Amazônia Ocidental entre 2008 e 2022. Métodos: Trata-se de um estudo observacional do tipo ecológico, cuja fonte de dados secundária foi o Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), de acesso público e irrestrito, disponibilizado pelo Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS). Resultados: Foram analisadas 41.053 internações por infecções do trato urinário na gravidez. As ITUs foram mais frequentes no estado do Amazonas (52%), com pacientes na faixa etária entre 15 e 29 anos (80%) e cor de pele parda (65%). A maioria das internações ocorreu em caráter de urgência (93%), e 78% estavam relacionadas a internações pela especialidade obstétrica. Alta por melhora foi registrada em mais de 80% dos casos. A maior parte das internações no Acre foi pela especialidade clínica (74%), enquanto em Rondônia (89%) ocorreram por motivos obstétricos. Os estados do Amazonas e de Roraima mostraram tendência crescente nas internações até 2018, seguida de leve queda. Rondônia obteve crescimento até 2014, seguido por diminuição. A cobertura da atenção básica variou entre 60,39% em Rondônia, no ano de 2008, e 92,33% no Acre em 2015. Conclusões: Os achados do estudo revelam a necessidade de melhorar a prevenção de infecções do trato urinário na gravidez na Amazônia Ocidental a fim de evitar, principalmente, internações em caráter de urgência em mulheres jovens. A disparidade regional, especialmente no Amazonas, enfatiza a importância de considerar as particularidades territoriais na formulação de políticas de saúde, além da incompletude da base de dados.
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