Aspectos sociodemográficos de homens e mulheres transgêneros em um serviço de saúde no município de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4499Palavras-chave:
Pessoas Transgênero, Fatores Sociodemográficos, Comportamento Sexual, Identidade de GêneroResumo
Introdução: A população transgênero no Brasil enfrenta diversas barreiras no acesso à educação, ao emprego e aos serviços de saúde, entre outros. Além disso, sofre estigmas sociais que levam ao preconceito e a prejuízos sociais, ampliando ainda mais os obstáculos e dificuldades enfrentados. Objetivo: Comparar aspectos sociodemográficos de homens e mulheres transgêneros em um serviço de saúde especializado no município de São Paulo. Métodos: Foi conduzido um estudo observacional retrospectivo em um serviço de saúde especializado no município de São Paulo (São Paulo, Brasil), com 78 indivíduos. Foram investigadas treze variáveis sociodemográficas, tais como idade, cor de pele, nível de escolaridade, situação de moradia, situação de trabalho, orientação sexual, religião, estado civil, idade na sexarca, renda mensal média, plano de saúde suplementar, número de parceiros sexuais nos últimos 12 meses e se já realizou trabalho sexual. As variáveis foram comparadas entre homens e mulheres transgêneros. O estudo apresenta como limitações o fato de ser regional, conduzido com amostra pequena em um único serviço de saúde especializado, não sendo, portanto, generalizável para toda a população transgênero brasileira. Resultados: Diferenças significativas foram encontradas entre os grupos em diversas variáveis. O nível de escolaridade foi maior entre as mulheres trans. A situação de moradia foi mais favorável entre os homens trans, com maior proporção sendo proprietários de imóveis. O estado civil apresentou maior proporção de relacionamentos estáveis entre os homens trans. O trabalho sexual foi mais prevalente entre as mulheres trans. O número de parceiros nos últimos 12 meses diferiu entre os grupos, com maior proporção de mulheres trans sem parceiros ou com mais de 15 parceiros. O acesso a plano de saúde suplementar foi mais comum entre as mulheres trans. Conclusões: Os resultados demonstram que as mulheres trans apresentaram maiores níveis de escolaridade e maior acesso a plano de saúde suplementar do que os homens trans. No entanto, ainda vivenciam maior marginalização, particularmente em relação a indicadores de saúde sexual e estabilidade habitacional. As mulheres trans apresentaram maiores taxas de trabalho sexual (21,7% vs. 6,3%) e distribuição bimodal no número de parceiros sexuais, enquanto os homens trans demonstraram situação de moradia mais favorável (30,2% de proprietários vs. 8,9%) e maior proporção de relacionamentos estáveis (26,5% casados/em união estável vs. 16%).
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