Coronopus didymus (mastruço): uma revisão baseada em evidências para a Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4710Palavras-chave:
Coronopus didymus, Plantas medicinais, Fitoterapia, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: O uso de plantas medicinais é uma prática tradicional amplamente difundida, especialmente no Brasil, com relevância na Atenção Primária à Saúde (APS). O Coronopus didymus é amplamente utilizado na medicina popular devido às suas potenciais propriedades antiinflamatórias e antioxidantes. Apesar disso, a evidência científica que respalda seu uso terapêutico permanece limitada, exigindo uma análise crítica para integrar essas práticas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Avaliar a produção científica sobre Coronopus didymus (mastruço) entre 2003 e 2023, investigando evidências sobre suas propriedades terapêuticas e sua aplicabilidade no contexto da APS no Brasil. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática baseada em evidências nas bases PubMed, Embase e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Após a busca pelo termo “Coronopus didymus” e a aplicação de critérios de inclusão e exclusão, 42 artigos foram analisados. Estudos repetidos, focados em aplicações não medicinais ou com outras plantas foram excluídos. As publicações analisaram dados in vitro, em modelos animais e em entrevistas populacionais. Resultados: Dos 42 artigos analisados, 14 preencheram os critérios finais. As atividades biológicas identificadas incluem propriedades antioxidantes (41,6%), anti-inflamatórias (16,6%), antiartríticas (16,6%), antifúngicas (8,3%), antipiréticas (8,3%), e antivirais (8,3%). Os compostos bioativos mais frequentes foram flavonoides, polifenóis, alcaloides e taninos. Alguns estudos pré-clínicos destacaram efeitos promissores, como ação hepatoprotetora, redução da glicose sanguínea e cicatrização de feridas. No entanto, não foram encontrados ensaios clínicos que avaliassem esses efeitos em humanos. Conclusões: Embora o Coronopus didymus seja amplamente utilizado na medicina tradicional, a falta de estudos clínicos robustos impede sua recomendação formal na APS. As evidências disponíveis são limitadas a estudos pré-clínicos, que sugerem potencial terapêutico em propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Há uma necessidade urgente de pesquisas que avaliem sua segurança, eficácia e toxicidade em humanos. Assim, o mastruço ainda carece de suporte científico suficiente para ser integrado ao SUS como alternativa terapêutica.
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