Visita domiciliar pela Estratégia Saúde da Família

limites e possibilidades no contexto da violência urbana no Rio de Janeiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc16(43)2651

Palavras-chave:

Estratégia Saúde da Família, Atenção Primária à Saúde, visita domiciliar, Violência Doméstica

Resumo

A Estratégia Saúde da Família (ESF) se organiza sobre uma base territorial, considerando as características locais e possibilitando às equipes conhecer o perfil da clientela e as situações vivenciadas no seu cotidiano. Nos últimos anos, o município do Rio de Janeiro expandiu a ESF para territórios altamente vulneráveis e as equipes aproximaram-se de áreas onde a violência urbana está fortemente presente. O objetivo foi compreender se a Visita Domiciliar (VD) permanece como uma ferramenta possível para a ESF, em contextos de violência urbana. Foi realizado um estudo de natureza qualitativa, com aplicação de entrevistas com roteiro semiestruturado e análise de conteúdo. Os resultados apontam que a VD é, prioritariamente, destinada à busca de usuários com alguma limitação de acesso à unidade, restrição ao leito ou domicílio. Segundo o relato dos profissionais, situações frequentes como incursão policial, confronto armado entre a polícia e traficantes, a presença de caveirões e o som de tiros e bombas, são limitadores para a realização da VD. A qualidade da atenção prestada fica prejudicada e as atividades no território sofrem grandes prejuízos, trazendo medo e insegurança, inclusive aos profissionais. A ESF se consolida como um serviço próximo a territórios marcados pela violência urbana, enfrentando desafios diários para aplicação de suas ferramentas, em especial a VD.

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Biografia do Autor

Anna Tereza Miranda Soares de Moura

Possui graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho (1987), Mestrado (2002) e Doutorado (2006) ambos em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS / UERJ), com área de concentração em Epidemiologia. Especialização (Residência Médica) em Pediatria na Secretaria Municipal de Saúde (HMSA) (1989) e Terapia Intensiva Pediátrica no Hospital Servidores do Estado - HSE / Rio de Janeiro (2001). Obteve o Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria/Associação Médica Brasileira. Atualmente é Professora Adjunta do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - FCM / UERJ (2008) e Professora Titular do Curso de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família da Universidade Estácio de Sá (2002). É Pediatra do Hospital Universitário Pedro Ernesto desde 1996, onde foi COORDENADORA do Ambulatório da Família (2001 / 2012) - destinado ao atendimento de crianças vítimas de violência familiar. Atualmente é Secretária Geral da SOPERJ para o triênio 2019-2021 onde exerceu a função de Vice-Presidente (triênio 2016-2019) e Presidente do Comitê de Segurança da Criança e do Adolescente, nos triênios 2007-2009 & 2010-2012. Foi Editora Chefe da Revista de Pediatria SOPERJ de 2012 a 2017. Foi Coordenadora de Graduação e Coordenadora Adjunta de Extensão da FCM / UERJ, por período de quatro anos, início em março de 2012. Vice diretora da FCM / UERJ, por período entre março de 2016 e fevereiro de 2019. Fellow FAIMER (2013) no Curso de Especialização em Educação para Profissionais de Saúde. Também atua como faculty - preceptor no referido programa desde 2014. Atualmente é Subsecretária de Pós-Graduação, Ensino e Pesquisa em Saúde na Secretaria de Estado do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Pediatria, atuando principalmente nos temas: Pediatria geral, Violência familiar, Saúde coletiva, Epidemiologia, Promoção da saúde, educação em saúde, linhas de cuidado. Na área de educação médica, tem especial interesse em processos de aprimoramento curricular e desenvolvimento docente.

Ricardo de Mattos Russo Rafael

Enfermeiro. Mestre em Saúde da Família. Doutor em Ciências pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cursou estágio Pós-doutoral em Enfermagem com ênfase em estatística aplicada e métodos quantitativos (UNIRIO). É professor adjunto do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública (DESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuando na graduação, residência e no quadro permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem, especialmente na linha Saberes, políticas e práticas em Saúde Coletiva e Enfermagem. É vice-diretor da Faculdade de Enfermagem (UERJ) na gestão 2020-2024. Procientista da UERJ no período 2020-2023. É membro titular do Grupo Temático "Violência e Saúde" da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Na ABRASCO também ocupa função de coordenação no Fórum de Coordenadores da Pós-graduação em Saúde Coletiva (Gestão 2019-2021). Têm experiência em Saúde Coletiva com ênfase em Epidemiologia, trabalhando principalmente nos seguintes temas: Atenção Primária à Saúde, gênero, violência, equidade e acesso aos serviços de saúde.

Katia Maria Braga Edmundo

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Gama Filho (1987) e Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000); Especialização em Psicopedagogia Diferencial pela PUC-Rio e em Saúde Mental pelo IPUB/Rio de Janeiro. Doutorado em Psicossociologia de Comunidade e Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007). Atua como Professora Adjunta I do Mestrado Profissional em Saúde da Família (UNESA) desde 2013. Orienta alunos e desenvolve projetos de pesquisa-intervenção que integram a linha Diagnóstico, práticas e tecnologias em Saúde da Família do Mestrado. É professora no Seminário Integrado da graduação em Medicina da Universidade Estácio de Sá (M 8). É Diretora Executiva da organização da sociedade civil Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS), por meio da qual desenvolve projetos sociais voltados a promoção da saúde. prevenção das IST/HIV/AIDS, juventude e desenvolvimento comunitário. Realiza consultorias nacionais e internacionais de formação, supervisão de estágio, facilitação de oficinas de formação e implementa estudos e pesquisas nos campos da promoção da saúde e desenvolvimento comunitário. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde Pública, Movimentos Sociais e Desenvolvimento, atuando principalmente nos seguintes campos: desenvolvimento comunitário, prevenção das IST/AIDS, promoção da saúde e educação comunitária.

 

Lucia Helena Garcia Penna , https://orcid.org/0000-0001-9227-628X

Possui Graduação em Enfermagem (1984) e Habilitação em Enfermagem Obstétrica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1985),Especialização em Metodologia do Ensino Superior (Faculdade de Educação da UERJ- 1985), Especialização em Saúde da Mulher e Obstetrícia Social (UERJ - 1992), Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1997) e Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher pelo Instituto Fernandes Figueiras da Fundação Oswaldo Cruz (2005). Atualmente é Professora Associado do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase na Saúde da Mulher - Enfermagem Obstétrica, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde da mulher, enfermagem obstétrica, saúde reprodutiva, cuidado de enfermagem, violência, gênero, sexualidade e consulta de enfermagem pré-natal. Líder do Grupo de Pesquisa: GÊNERO, VIOLÊNCIAS E PRÁTICAS EM SAÚDE E ENFERMAGEM.

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Publicado

2021-04-01

Como Citar

1.
Perozini Goulart E, Miranda Soares de Moura AT, de Mattos Russo Rafael R, Maria Braga Edmundo K, Garcia Penna LH. Visita domiciliar pela Estratégia Saúde da Família: limites e possibilidades no contexto da violência urbana no Rio de Janeiro. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 1º de abril de 2021 [citado 19º de setembro de 2021];16(43):2651. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/2651

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa