A literatura como fundamento ético-formativo na prática médica
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4692Palavras-chave:
Medicina narrativa, Literatura, Educação médica, Ética, Relações médico-pacienteResumo
A comunicação constitui elemento essencial na prática médica, especialmente na anamnese, em que sinais, sintomas e fatores sociais e culturais precisam ser integrados para um diagnóstico adequado e para o fortalecimento do vínculo médico-paciente. Este artigo tem como objetivo discutir o papel da literatura como fundamento ético-formativo para o aprimoramento da comunicação clínica, ressaltando sua contribuição para a formação médica, para a construção da empatia e para a compreensão dos determinantes sociais da saúde. Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo, fundamentado em revisão narrativa da literatura científica e análise interpretativa de obras literárias relevantes ao contexto médico. A discussão destaca dois eixos principais: a valorização das narrativas individuais na formação do médico, que permite reconhecer o paciente para além da doença, e o papel da literatura na sensibilização para a alteridade e empatia, ampliando a escuta clínica e a capacidade de interpretar contextos sociais, culturais e emocionais. Além disso, são exploradas conexões entre obras literárias e práticas médicas, sublinhando como a leitura pode enriquecer a compreensão das experiências humanas. Conclui-se que a literatura se estabelece como fundamento ético-formativo e assistencial que aprimora o raciocínio clínico e fortalece a tomada de decisão do médico. Ao desenvolver a alteridade e a empatia, a literatura favorece a construção de um cuidado mais humano, ético e integral.
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