Escolha de métodos contraceptivos entre usuárias do Sistema Único de Saúde no interior do nordeste brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4701Palavras-chave:
Planejamento familiar, Anticoncepção, Sistema Único de SaúdeResumo
Introdução: Embora 80% das mulheres férteis e sexualmente ativas no Brasil utilizem métodos contraceptivos, 55% das gestações não são planejadas. A Lei nº 9.263/1996 e a Política Nacional de Planejamento Familiar (2017) asseguram a oferta gratuita de métodos contraceptivos no Sistema Único de Saúde (SUS), mas a concentração do uso em métodos como a pílula e a esterilização feminina, aliada à baixa adesão a métodos de longa duração, revelam desafios no acesso e na educação reprodutiva. Fatores socioeconômicos e demográficos influenciam fortemente essas escolhas, tornando relevante investigar essas variáveis em contextos locais. Objetivo: Analisar os fatores que influenciam a escolha de métodos contraceptivos entre usuárias do SUS, considerando o impacto do perfil socioeconômico, sociodemográfico e do conhecimento sobre contracepção. Métodos: Estudo quantitativo realizado com 147 mulheres atendidas no Centro Humanizado da Mulher e da Criança, um serviço de saúde da mulher integrado ao SUS em Lagarto (SE). Foram incluídas mulheres de 18 a 50 anos, residentes no município e usuárias do SUS, que consentiram formalmente. A coleta de dados foi feita por meio de um questionário estruturado que abordou informações socioeconômicas, sociodemográficas, além do conhecimento sobre contracepção e a prática contraceptiva atual. A análise estatística envolveu a identificação de associações entre essas variáveis e a escolha dos métodos contraceptivos. Resultados: A pílula anticoncepcional (43,7%) e o preservativo masculino (20,2%) foram os métodos mais escolhidos, seguidos pelo dispositivo intrauterino — DIU (12,6%). A escolha dos métodos foi significativamente influenciada pela idade e escolaridade, com mulheres mais velhas e com menor escolaridade optando por métodos irreversíveis. O nível de conhecimento sobre contracepção foi maior entre mulheres com maior escolaridade e residentes em áreas urbanas. A farmácia privada foi a principal fonte de acesso a contraceptivos. Conclusões: A escolha de métodos contraceptivos no SUS ne região estudada é influenciada por desigualdades socioeconômicas e de acesso à informação. A análise local apresentada reforça o valor de estudos regionais como instrumentos fundamentais para compreender os determinantes das escolhas contraceptivas e orientar intervenções mais eficazes e territorialidades no âmbito do SUS.
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