Escolha de métodos contraceptivos entre usuárias do Sistema Único de Saúde no interior do nordeste brasileiro

Autores

  • Hemily dos Santos Rodrigues Universidade Federal de Sergipe – Lagarto (SE), Brasil https://orcid.org/0000-0001-5156-2052
  • Márcia Neves de Carvalho Universidade Federal de Sergipe – São Cristóvão (SE), Brasil https://orcid.org/0000-0002-4370-2788
  • Iris Tarciana de Freitas Cunha Universidade Federal de Sergipe – Lagarto (SE), Brasil
  • Tássia Nayane Vieira dos Santos Universidade Federal de Sergipe – Lagarto (SE), Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4701

Palavras-chave:

Planejamento familiar, Anticoncepção, Sistema Único de Saúde

Resumo

Introdução: Embora 80% das mulheres férteis e sexualmente ativas no Brasil utilizem métodos contraceptivos, 55% das gestações não são planejadas. A Lei nº 9.263/1996 e a Política Nacional de Planejamento Familiar (2017) asseguram a oferta gratuita de métodos contraceptivos no Sistema Único de Saúde (SUS), mas a concentração do uso em métodos como a pílula e a esterilização feminina, aliada à baixa adesão a métodos de longa duração, revelam desafios no acesso e na educação reprodutiva. Fatores socioeconômicos e demográficos influenciam fortemente essas escolhas, tornando relevante investigar essas variáveis em contextos locais. Objetivo: Analisar os fatores que influenciam a escolha de métodos contraceptivos entre usuárias do SUS, considerando o impacto do perfil socioeconômico, sociodemográfico e do conhecimento sobre contracepção. Métodos: Estudo quantitativo realizado com 147 mulheres atendidas no Centro Humanizado da Mulher e da Criança, um serviço de saúde da mulher integrado ao SUS em Lagarto (SE). Foram incluídas mulheres de 18 a 50 anos, residentes no município e usuárias do SUS, que consentiram formalmente. A coleta de dados foi feita por meio de um questionário estruturado que abordou informações socioeconômicas, sociodemográficas, além do conhecimento sobre contracepção e a prática contraceptiva atual. A análise estatística envolveu a identificação de associações entre essas variáveis e a escolha dos métodos contraceptivos. Resultados: A pílula anticoncepcional (43,7%) e o preservativo masculino (20,2%) foram os métodos mais escolhidos, seguidos pelo dispositivo intrauterino — DIU (12,6%). A escolha dos métodos foi significativamente influenciada pela idade e escolaridade, com mulheres mais velhas e com menor escolaridade optando por métodos irreversíveis. O nível de conhecimento sobre contracepção foi maior entre mulheres com maior escolaridade e residentes em áreas urbanas. A farmácia privada foi a principal fonte de acesso a contraceptivos. Conclusões: A escolha de métodos contraceptivos no SUS ne região estudada é influenciada por desigualdades socioeconômicas e de acesso à informação. A análise local apresentada reforça o valor de estudos regionais como instrumentos fundamentais para compreender os determinantes das escolhas contraceptivas e orientar intervenções mais eficazes e territorialidades no âmbito do SUS.

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Publicado

2026-02-23

Como Citar

1.
Rodrigues H dos S, Carvalho MN de, Cunha IT de F, Santos TNV dos. Escolha de métodos contraceptivos entre usuárias do Sistema Único de Saúde no interior do nordeste brasileiro. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 23º de fevereiro de 2026 [citado 14º de março de 2026];21(48):1-11. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/4701

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit