Prevalência e fatores associados a potenciais interações medicamentosas entre idosos em um estudo de base populacional

Daniel Riani Gotardelo, Lorena Silva Fonseca, Eugênio Rodrigues Masson, Lauro Nogueira Lopes, Vinícius Nogueira Toledo, Marina Abreu Faioli, Aline Martins de Melo Meira, Cássia Kelly Martins Costa, Raíssa Braga Linhares Andrade

Resumo


Objetivo: Determinar a prevalência de potenciais interações medicamentosas e os fatores a elas associados entre idosos cadastrados nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) do município de Timóteo, MG. Métodos: Estudo transversal, utilizando amostragem aleatória estratificada. Foram realizadas 273 entrevistas domiciliares, com indivíduos de 60 anos ou mais de idade, por meio de formulário que continha perguntas de identificação, sociodemográficas e questões relacionadas às condições de saúde do idoso e ao consumo de medicamentos. As interações medicamentosas foram identificadas e classificadas de acordo com o software Micromedex®. Resultados: A prevalência de potenciais interações medicamentosas foi de 55,6%, perfazendo um total de 466 ocorrências, das quais 5,6% eram leves, 81,6% eram moderadas e 12,8% eram de maior gravidade. As classes terapêuticas mais frequentemente envolvidas foram anti-inflamatórios e, principalmente, fármacos utilizados em doenças cardiovasculares. A ausência de internação hospitalar nos últimos 4 meses associou-se significativamente a uma menor chance de interações graves, e a maior parte dos pacientes que não tiveram nenhum tipo de interação moderada utilizava apenas medicamentos prescritos por médicos. Conclusões: A prevalência de interações medicamentosas encontrada foi semelhante à descrita na literatura, demonstrando alta frequência entre idosos. A ausência de internação hospitalar prévia e a prescrição de medicamentos por profissionais médicos associaram-se a uma menor frequência desse fenômeno. A prescrição de múltiplos medicamentos simultaneamente aos idosos pode comprometer a segurança e a saúde dessa população, requerendo, por parte dos cuidadores, observação atenta quanto à ocorrência de interações medicamentosas.


Palavras-chave


Interações de Medicamentos; Idoso; Saúde do Idoso; Estratégia Saúde da Família; Atenção Primária à Saúde

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DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc9(31)833

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