Paracentese domiciliar: uma série de casos

Autores

  • Rafaella Copetti Ghisleni Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre (RS), Brasil https://orcid.org/0009-0004-9570-4138
  • Marilia de Oliveira Imthon Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil
  • Sati Jaber Mahmud Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre (RS), Brasil https://orcid.org/0000-0002-0890-7032
  • Guilherme Emanuel Bruning Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre (RS), Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4009

Palavras-chave:

Paracentese, Ascite, Serviços de Atenção Domiciliar, Visita Domiciliar, Medicina de família e comunidade

Resumo

Introdução: A paracentese, procedimento de retirada de líquido livre da cavidade abdominal por meio de uma punção com agulha, é o tratamento de escolha para ascite de grande volume e para ascite refratária. Além disso, é consenso na literatura que se trata de procedimento com baixas taxas de complicações quando indicado corretamente e realizado por profissional capacitado e com técnica adequada. Contudo, há poucos dados na literatura sobre a realização de paracentese em domicílio, apesar de documentos do Ministério da Saúde sinalizarem a viabilidade de sua realização. Objetivo: Descrever e analisar uma série de casos de paracenteses realizadas em domicílio de um Serviço de Atenção Domiciliar, bem como o perfil dos pacientes, das internações e das complicações dos procedimentos. Métodos: Foi conduzido um estudo transversal, documental e retrospectivo, com revisão de prontuários de pacientes internados em um Serviço de Atenção Domiciliar entre os anos de 2008 e 2022. Todos os pacientes submetidos à paracentese domiciliar nesse período foram sequencialmente incluídos. Para análise descritiva e estatística, utilizou-se o software Statistical Package for the Social Sciences. Resultados: A amostra foi composta de 47 pacientes, que estiveram internados no Serviço de Atenção Domiciliar em 63 ocasiões e foram submetidos a 468 paracenteses em domicílio. A média de idade foi de 63,6 anos, e as neoplasias malignas constituíram a principal causa de ascite (53,2%); 73% dos pacientes apresentou Índice de Comorbidade de Charlson indicativo de alto ou muito alto risco de mortalidade em um ano. Todos os procedimentos foram realizados por médicos de família e comunidade. A mediana de paracenteses foi de dois procedimentos por internação no Serviço de Atenção Domiciliar (IIQ: 1–6) e a mediana de volume drenado foi de 5 litros (IIQ: 4,0–7,5). Metade dos pacientes que necessitaram de paracenteses de repetição foi submetida a novo procedimento em oito dias. As complicações foram reportadas em 4,7% dos procedimentos, sendo que em 3,4% houve complicações maiores, como sangramentos, infecções, deterioração clínica e piora da função renal. Três pacientes faleceram por intercorrências que, somadas à gravidade de suas comorbidades, podem estar relacionadas a complicações do procedimento. Conclusões: A população analisada foi composta em sua maioria por mulheres acima dos 50 anos, com cirrose hepática ou neoplasias malignas em estágio avançado, com alta carga de morbimortalidade. Os resultados indicaram que a paracentese domiciliar é uma prática viável e segura e que, conforme a literatura, traz benefícios para o perfil de pacientes identificado no estudo. Com base nos resultados da pesquisa, espera-se fomentar e fortalecer a prática de realização de paracentese no domicílio em outros Serviço de Atenção Domiciliar do Brasil.

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Publicado

2026-09-09

Como Citar

1.
Ghisleni RC, Imthon M de O, Mahmud SJ, Bruning GE. Paracentese domiciliar: uma série de casos. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 9º de setembro de 2026 [citado 10º de setembro de 2026];21(48):1-10. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/4009

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit