Preditores de risco cardiovascular na Atenção Primária à Saúde: reflexões sobre a adoção de modelos não laboratoriais

Autores

  • Kananda Oliveira Garcia Ruiz Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0009-0004-8463-551X
  • Mariela Svízzero Amaral Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0009-0008-3821-211X
  • Rafael Fonseca Drumond Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0000-0003-0054-9493
  • Vitor de Oliveira Ribeiro Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0009-0001-2074-1346
  • Beatriz Pimentel de Oliveira Andrade Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0009-0003-4684-7653
  • José Victor Ribeiro Silva Gomes Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0000-0003-2971-5715
  • Milena Henriques Fialho Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0009-0004-2665-4544
  • Laila Cristina Moreira Damázio Universidade Federal de São João del Rei, Curso de Medicina – São João del Rei (MG), Brasil https://orcid.org/0000-0001-7370-8892

DOI:

https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4494

Palavras-chave:

Atenção Primária à Saúde, Estudos Longitudinais, Framingham Heart Study, Risco Cardiovascular

Resumo

Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são multifatoriais e configuram a principal causa de morbimortalidade no Brasil. A identificação precoce e o manejo de doenças crônicas que atuam como fatores de risco são, portanto, fundamentais. Consequentemente, foram criados estratificadores de risco cardiovascular (RCV) que auxiliam na predição da probabilidade de ocorrência de eventos cardiovasculares em um período de 10 anos. Essas ferramentas são importantes nos contextos preventivo, terapêutico e epidemiológico, sobretudo na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Discutir a aplicação de estratificadores de RCV na APS, comparando a versão laboratorial e não laboratorial de modelos preditivos (Escore de Risco Global [ERG] de Framingham e a calculadora do programa HEARTS, respectivamente). Métodos: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e de caráter epidemiológico, realizado entre março de 2022 e junho de 2024, com amostragem de conveniência. Foram incluídos na amostra indivíduos entre 40 e 75 anos, hipertensos e/ou diabéticos, sem histórico de agravos cardiovasculares e usuários da APS do município. Estes deveriam apresentar exames séricos de colesterol datados de, no máximo, um ano. Os dados de 89 pacientes foram obtidos e analisados pelo coeficiente kappa de Cohen. Resultados: Observou-se uma amostra majoritariamente feminina (68,5%), com indivíduos com mais de 60 anos (50,5%) e não tabagistas (88,75%). Notou-se predomínio do risco intermediário/ alto em ambos os escores, sendo que a calculadora HEARTS classificou mais indivíduos como alto risco. Em contrapartida, apenas o ERG estratificou pacientes em faixas de risco muito alto ou crítico. Na amostra do estudo, houve uma concordância mínima entre os dois instrumentos na avaliação do RCV de um mesmo paciente. Conclusões: A avaliação do RCV é fundamental na APS. No âmbito clínico, permite direcionar ações preventivas, terapêuticas e educativas conforme o risco do paciente. Em nível populacional, conhecer o RCV por território auxilia na formulação de políticas públicas mais eficazes. Entretanto, a divergência entre escores laboratoriais e não laboratoriais pode prejudicar decisões clínicas. Sendo assim, é essencial utilizar ferramentas adequadas ao contexto e desenvolver instrumentos calibrados ao perfil clínico-epidemiológico da população brasileira. Isso garante melhor direcionamento dos recursos na APS e maior eficiência no cuidado cardiovascular nesse contexto.

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Publicado

2026-08-17

Como Citar

1.
Ruiz KOG, Amaral MS, Drumond RF, Ribeiro V de O, Andrade BP de O, Gomes JVRS, et al. Preditores de risco cardiovascular na Atenção Primária à Saúde: reflexões sobre a adoção de modelos não laboratoriais. Rev Bras Med Fam Comunidade [Internet]. 17º de agosto de 2026 [citado 27º de agosto de 2026];21(48):1-11. Disponível em: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/4494

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa

Plaudit