A percepção dos profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre o horário estendido nos Centros de Saúde de Florianópolis (SC), Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5712/rbmfc21(48)4521Palavras-chave:
Acesso à Atenção Primária, Atenção Primária à Saúde, Sistema Único de Saúde, Saúde da FamíliaResumo
Introdução: O aumento do horário de atendimento, ou horário estendido, nas Unidades de Saúde da Família surgiu como uma proposta de ampliação do acesso — um dos princípios da Atenção Primária à Saúde (APS). O município de Florianópolis–SC ampliou o número de Centros de Saúde com horário estendido, sobretudo a partir de 2019, incentivado pelo programa Saúde na Hora. Hoje, grande parte dos Centros de Saúde desse município opera das 7h–19h, trazendo mudanças na dinâmica dessas unidades e no cotidiano de quem trabalha nelas. Objetivo: Pesquisar a experiência dos trabalhadores da APS em Florianópolis em relação ao horário estendido e como isso afeta a dinâmica das Equipes de Saúde da Família. Métodos: Adotou-se o delineamento exploratório-descritivo com abordagem qualitativa e análise temática. Foram conduzidas 12 entrevistas semiestruturadas com profissionais de saúde. A entrevista consistiu em sete questões disparadoras abertas, com o objetivo de entender de que forma ocorreu a mudança para o horário estendido e como essa mudança impactou o processo de trabalho. Após as entrevistas, realizaram se as transcrições e a posterior análise dos dados. A análise foi conduzida por meio de cinco fases distintas e complementares: compilação, decomposição, recomposição, interpretação e conclusão. Resultados: Foram entrevistados cinco médicos, quatro enfermeiras e três técnicos de enfermagem, englobando profissionais dos quatro distritos sanitários de Florianópolis: Norte, Sul, Centro e Continente. Com base nas respostas mais prevalentes das entrevistas, elaborou-se um diagrama dividido em três temas: “gestão, infraestrutura e recursos humanos”; “acesso e cuidado” e “trabalhadores”, e subdividido em desafios e potencialidades. Conclusões: O horário estendido é uma possível estratégia para ampliação do acesso. Neste estudo, buscou-se identificar de que forma isso está ocorrendo e como está impactando o dia a dia dos profissionais em Florianópolis. Embora tenham sido apontadas potencialidades, como flexibilidade de horários, melhor divisão do espaço físico e maior acesso a medicamentos, também surgiram desafios, como sobrecarga dos profissionais, fragmentação do cuidado e perda de sensação de equipe. Assim, a atual implementação do horário estendido deve ser estruturada pensando em modelos que não afetem princípios como longitudinalidade e integralidade, e com os recursos humanos necessários, para não comprometer a saúde do trabalhador e outros princípios da APS.
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