Como alcançar ou preservar o número de médicas e médicos de Família e Comunidade necessários para a transformação dos sistemas de saúde na região ibero americana?
Palavras-chave:
Medicina Familiar e Comunitária, Atenção Primária à Saúde, Recursos Humanos em Saúde, Políticas de SaúdeResumo
Introdução: A Medicina de Família e Comunidade (MFC) constitui o eixo estrutural dos sistemas de saúde orientados para a Atenção Primária à Saúde (APS). No entanto, persistem desafios relacionados à formação, disponibilidade, distribuição e retenção de profissionais, bem como ao seu reconhecimento dentro dos sistemas de saúde. Objetivo: Apresentar uma síntese do consenso alcançado por um painel de especialistas de 20 países ibero-americanos sobre os desafios e a situação atual dos médicos de família em termos de número de profissionais, reconhecimento profissional e formação, incluindo propostas de melhoria. Métodos: Um estudo de consenso foi conduzido no âmbito da IX Cúpula Ibero-Americana de Medicina de Família e Comunidade (Montevidéu, 2025). A metodologia Delphi foi aplicada em duas rodadas consecutivas com 45 especialistas em MFC de 19 países ibero-americanos, que responderam a cinco questões norteadoras. O questionário coletou comentários qualitativos e pontuações baseadas no grau de concordância, fundamentadas na experiência profissional e na literatura fornecida por cada país. A metodologia foi aplicada em duas rodadas sucessivas. Na primeira rodada, os painelistas avaliaram as afirmações usando uma escala Likert. As afirmações que não obtiveram consenso foram revisadas e submetidas a uma segunda rodada. O consenso foi definido como pelo menos 80% dos participantes atribuindo notas 4 ou 5. As afirmações com consenso foram incorporadas aos resultados do estudo. Resultados: Formação descentralizada, incentivos econômicos e profissionais, estabilidade no emprego, colaboração interinstitucional e financiamento público equitativo e sustentável, voltados para o fortalecimento da atenção primária à saúde e da equidade em saúde, foram identificados como fatores-chave para alcançar e manter o número ideal de especialistas na região ibero-americana. Conclusões: Partindo da premissa de que não existe um modelo único para o sucesso, mas sim um conjunto de estratégias flexíveis e adaptáveis, propõe-se que estas sejam implementadas no contexto local — de acordo com as realidades sanitárias, sociais e educacionais de cada país. Isso pode garantir um crescimento sustentado tanto no número quanto na qualidade dos especialistas em Medicina de Família e Comunidade e, dessa forma, oferecer serviços de saúde mais eficazes e equitativos à população em todos os países ibero-americanos.
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